Diante de uma larga frente de batalha, procure o ponto mais fraco e, ali, ataque com a sua maior força.
Sun Tzu
Corretor ortográfico ewertonalves93
O vento era sempre impetuoso entre as grandes colinas geladas, levando a neve de encontro às folhas já carregadas dos pinheiros ao sul do grande castelo negro, que se destacava no declive de uma grande pedra, em meio à leve e constante nevasca.
Em pé, perto da borda da única grande torre, ele estava trajado de vestes grossas e um grande sobretudo de gola média, junto de um capuz negro. Sua barba, agora mediana e malfeita, ajuntava pequenos flocos da neve que caia sobre ele em direção à floresta, que mais parecia uma extensão do próprio nevoeiro.
- Como se sente, Cariel? – Perguntou Avalyos, aproximando-se lentamente de seu aluno.
- Bem... Um pouco apreensivo, mas bem.
- Seu corpo está melhor?
- Totalmente recuperado, meu amigo. Esses novos poderes me colocaram em um nível inimaginável.
- Cariel... – a pequena pausa feita por Avalyos deixou o jovem bruxo das trevas ainda mais apreensivo – Você foi até Ariane mais uma vez, não é?
- Sim. Fui até lá para confirmar se ela estava bem, como sempre faço. Cada vez que a vejo, mesmo de longe, é como se tudo estivesse vago. Uma lembrança cuja qual nunca fora real, mas desta vez eu senti uma presença muito estranha no quarto dela. E essa presença sentiu que eu estava os observando, mesmo eu me escondendo e disfarçando meus poderes. Esse bruxo que estava lá desapareceu, levando Ariane em uma velocidade absurda.
- Meu amigo... O amor é uma faca de dois gumes. É impossível para você amar tanto assim essa mulher. Esqueça-a ou sua insistência acabará matando-a. – recomendou Avalyos com um tom sério em sua voz.
- Hrrr...
- Esqueça essa mulher, meu amigo. Peço-lhe de coração, esqueça-a. – disse-lhe Avalyos enquanto segurava-o pelos ombros, mas logo o soltou – Mudando de assunto, está preparado para hoje?
- Sim senhor, estou pronto para minha árdua missão.
- Então vamos, eles já estão à sua espera.
- Eles?
- Sim, os outros Cavaleiros. Hoje todos lhe serão apresentados.
Cariel se virou e colocou as mãos nos bolsos do sobretudo, saindo lentamente em direção às escadas da torre. Enquanto passava pelos corredores ele escutou conversas perante a grande lareira; era a primeira vez que ouvia tantas vozes juntas. Ele apressou o passo e percebeu que seu amigo e professor não tinha vindo com ele. Curioso, desceu a outra escada à direita, olhando discretamente para frente. Identificou seis bruxos incluindo seu amigo Amaloky, então se aproximou, sendo recepcionado por Nada, que sorria levemente.
- Bem vindo à esta reunião. – disse o velho Nada a se equilibrar em sua bengala – Senhores cavaleiros, eu vos apresento Cariel. Eu creio que você já saiba quem são estes bruxos em sua frente, os tão falados Cavaleiros das Trevas.
- Eu presumi que poderiam ser. – disse o jovem sem esboçar sequer um sorriso de satisfação em conhecê-los – Sei quem são alguns de vocês, como Amaloky e meu professor Avalyos. E claro, o poderoso Vladmir.
- À sua direita, perto da lareira, está Borys. – o bruxo citado acenou para Cariel de forma discreta – E ao lado dele está Vladmir, creio que já se encontraram antes.
VOCÊ ESTÁ LENDO
CARIEL
FantasiEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
