Gostaria de agradecer a todos que tiram um pouco de seu tempo para ler este livro e vários outros de vários outros sonhadores como eu . ♥
Corretor ortográfico - @ewertonalves93
bônus – Ariane
A chuva era forte e o vento gelado soprava contra seus cabelos, pregando-os sobre sua pele branca e trêmula, quando avistou um velho junto à porta de uma pequena pousada, a qual era a única na entrada do vilarejo em que ela acabara de chegar.
- Ei! – gritou o velho – Venha cá, saia dessa chuva! – disse ele aproximando as velas de seu candelabro velho ao rosto, a observando – Aonde vai a essa hora, nessa chuva e com essas roupas?
- Preciso chegar à Argamo e encontrar Atabaron – disse a jovem assustada, olhando para os lados com olhos atentos e bem abertos, como se o mundo a procurasse.
Assustada e com frio entrou imediatamente, encontrando uma senhora humilde com os cabelos brancos e sorriso farto, convidando-a para uma xícara de chá quente e oferecendo roupas limpas.
Ajeitaram para ela um pequeno quarto com uma banheira de madeira e uma pequena lareira quente e aconchegante. Seu banho foi rápido e frio, pois não permitiu que a senhora esquentasse a água.
Após o banho deitou-se na cama, olhando para o teto com a pouca luz das poucas velas no candelabro, pensando consigo mesma para tentar entender o que houve.
Porque tinha que chegar a um reino tão longe? E porque algo não permitia que voltasse? Mas para onde iria voltar se não sabia ao certo nem de onde vinha?
Só sabia para onde iria. E quem era Atabaron e porque precisava tanto dele?
Sem perceber e perdida em seus pensamentos ela adormeceu, acordando com o som de marteladas no andar de baixo. Desceu rapidamente as escadas da pequena pousada e lá já estavam os dois velhinhos à mesa, convidando-a para o café. A fome era enorme, pois estava tão exausta que nem quis comer na noite passada.
- Meu senhor, tenho que ir. – disse ela olhando para o velho sentado na cabeceira da mesa, não percebendo o pequeno sorriso que nele despertara.
- Entendo minha filha, eu entendo.
- Eu volto algum dia e pago essa hospitalidade – disse ela se levantando – Posso levar alguns pães? Pois minha viagem demorará.
- Pegue quantos quiser – disse a senhora – Eu te levo até a porta.
Ao abrir as portas viu várias pessoas com suas vidas pacatas e calmas.
O sol estava forte, o céu sem nenhuma nuvem e o vento quase sempre a soprar para o sul.
- Qual é mesmo seu nome, minha filha? – perguntou o velho a ela, já terminando de descer o último degrau da escada.
- Pode me chamar de... – disse ela pensativa – Ariane! – completou ela saindo rapidamente, pegando a estrada em direção ao reino de Argamo.
Então o velho não resistiu ao vê-la longe e soltou uma gargalhada maléfica colocando suas mãos no joelho, conjurando "speculum mentis".
Depois disso tudo à sua volta, casas, pessoas, e suas formas de velho desapareceram lentamente junto a um vento negro. Ficaram então parados os dois generais das trevas.
- Vamos embora! Podemos dizer ao mestre que a pobre coitada nunca se lembrará de nada sobre o tal Cariel.
- Dê-me sua mão – disse seriamente o outro bruxo – Sabe que depois desse feitiço você não tem energia para nada.
- Então vamos, sua velha – disse o bruxo zombando de seu parceiro, e depois desaparecendo os dois em partículas rápidas como o vento....
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CARIEL
FantasíaEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
