Obrigada Fada Madrinha

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Obrigada, Fada Madrinha - Cinderela

O nascer do sol era somente um rasgo no céu quando a diretora do Colégio Preparatório de Auradon entrou em sua sala. Antes mesmo de acender as luzes percebeu que estava acompanhada. Logo a sua frente, do outro lado de sua mesa, uma menina estava encostada à parede. Braços cruzados, olhos para a vista oferecida pela janela.

-Bom dia – a voz de veludo de Mal veio baixa, quase um complemento para o amanhecer frio como se ela estivesse em sintonia com o clima. Seu rosto sutil e vagarosamente voltado para a proprietária daquela sala.

-Bom dia, Mal – era sempre muito satisfatório ouvir, de qualquer um dos quatro, palavras e cumprimentos e saudações gentis; especialmente daquela moça que sempre deixara claro o quão difícil aquilo era para ela sem envolver qualquer tipo de deboche – A porta estava aberta? Eu costumo trancá-la...

-Não. Eu abri.

-Que feitiço...

-Não, não – e sorriu um sorriso pequenino e até suave em comparação a tantos outros que ela já dera ao receber pequenas acusações – Nunca precisei de magia para destrancar travas simples. Usei um grampo de cabelo – e o mostrou antes de devolvê-lo ao bolso da calça jeans.

Fada Madrinha tentou disfarçar seu choque, tentou não se surpreender ou se animar apesar da nítida confissão de um arrombamento. Ela está me oferecendo honestidade. Abertamente. E sem eu pedir. Era tudo o que ela sempre desejara receber da menina tão pouco acessível.

-Estava ansiosa para me dizer se aceitaram a proposta de permanecerem aqui? – perguntou com um sorriso maternal tendo o cuidado de escolher bem as menores palavras.

-Não exatamente. Eu quero... conversar.

-Conversar? A respeito de quê, minha querida? – e deu passos aproximando-se de sua mesa. A menina permanecia do outro lado, como se a sala lhe pertencesse e Fada Madrinha fosse sua convidada.

-Você disse que gostaria de ter outra conversa comigo. As claras. Sem mentiras. Sem nada a ocultar.

-Se sente disposta a isso?

-Sim. Quero falar. E quero que me estenda a gentileza de ser honesta comigo de volta.

-Nunca menti...

-Me tratou como criança, não como igual.

-Então quer uma conversa de igual para igual? Posso lhe dar isso. Não vou mentir, nem a tratar com condescendência.

Não parecia o suficiente. A garota por velozes segundos se mostrou inquieta, trazendo ao rosto uma vulnerabilidade que não lhe era comum. A adulta admirou fascinada aquela visão mais sensível que nunca antes pudera ver.

-Posso pedir que essa conversa fique só entre nós? Que não conte a mais ninguém... nem a Jane ou qualquer um da realeza? Mesmo Ben...

O silêncio pesou entre as piscadas lentas das duas.

-Sim... Claro. Vamos manter isto só entre nós duas – e voltou a sorrir com delicadeza – Aceita chá, minha querida?

Mal esboçou um sorrisinho antes de se aproximar.

As duas escolheram suas bebidas e esperaram a máquina as preparar em um silêncio estranhamente agradável. Em poucos minutos, se viam sentadas à mesa em seus devidos lugares com suas xícaras ao alcance das mãos, e um envelope ali entre elas.

-Suas opiniões a respeito do colégio mudaram? – Fada Madrinha começou o diálogo, dizendo a si mesma que dessa vez seria muito mais fácil e até interessante.

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