Elefantes Cor-De-Rosa

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Elefantes Cor-De-Rosa

Lonnie fora a única que conseguiu se perder na multidão e escapar de dar o selinho no aniversariante. Algo contra beijar em público? Não. Contra o garoto, talvez? Também não. Só não estava com vontade no instante em que foi anunciado a entrega do presente. Honestamente, perdera a vontade quando sentiu que aquilo parecia quase uma obrigação.

A menina passou pelo aglomerado de adolescentes e jovens adultos e pegou a segunda margarita da noite. Apesar da curiosidade mandar que ela experimentasse outro drink diferente, ela decidiu seguir pelo lado mais cômodo e continuar no que o paladar aprovara.

A seu modo, a filha de Fa Mulan se destacava das demais garotas. Ao contrário daquele mar de renda, das transparências, dos babados e dos lacinhos, Lonnie usava um conjunto de algodão branco com a costura acinzentada. O sutiã tipo top e calcinha tipo short. Nada de bojo, nada de desconforto. Somente isso seria uma produção até sem graça para um evento daqueles, mas as botas de cano médio, salto nem fino nem grosso, e cadarço eram tão charmosas que agregavam mais valor de moda ao look. Usava brincos de brilhantes, pedrinhas delicadas e discretas; um bracelete grande e liso de prata. Os cabelos soltos, as ondas do babyliss já se desfazendo depois de um tempo dançando intensamente.

-Fugindo de mim, machão? – ela parou no meio da escada.

A pergunta veio ao pé do ouvido. Involuntariamente, Lonnie estremeceu. A risada grossa que veio em seguida não ajudava em nada a se controlar.

-E se for o caso? – respondeu sem se virar.

-Respondendo com outra pergunta? – desdenhou – Devo ter te irritado em algum momento da noite.

-Talvez.

-Deu de se fazer misteriosa – disse pegando firme no braço dela, se colocando frente a frente com a garota; um degrau a cima dela. O peito nu, geometricamente bem desenhado era um belo atrativo aos olhos da menina, mas os olhos escuros de Jay eram igualmente convidativos, desafiantes – O que eu fiz para que a machão tenha se recusado a entregar o meu presente?

-Podemos sair do meio da escada? – disse olhando ao redor; apesar de ninguém estar olhando diretamente para eles, a ideia de estar tão exposta desconcertou-a. Tão mais exposta do que o normal...

-Isso depende muito de para qual lugar você está querendo ir – sorriu maliciosamente, a mão livre deslizando pelo quadril, contornando o elástico da calcinha. Lonnie apertou firmemente a taça.

O ar parecia pesado demais apesar do aroma gostoso do incenso...

-Não tenho preferência – disse olhando para baixo, desviando o olhar do dele; queria mais... queria mais... – Um lugar menos movimentado talvez...

Essa era a prova de que ela estava bêbada: ficar sozinha com Jay era um perigo. Fora que ela via uma chuva de estrelas cadentes. Não sabia se aquilo era obra de Mal ou se ela apenas havia ultrapassado seu limite com o álcool.

-Perfeito – disse puxou-a fortemente pelo pulso e antes que Lonnie percebesse estava montada nas costas do rapaz; ela não conseguiu conter o riso, mesmo parte da sua bebida tendo sido derramada pelo ato repentino, molhando seu pescoço, colo e barriga. Só mais tarde foi se derreter com a pegada firme em suas coxas.

Jay passou reto pelo 1º andar, Lonnie mal percebeu a decoração, apenas abraçou-se mais a ele. Ele caminhou rapidamente em direção a uma cortina de fios de ouro e prata, qualquer desavisado poderia confundir aquilo como uma simples parte da decoração das paredes, mas não. A cortina escondia outra escada, um corredor numa subida escura, sem iluminação...

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