Ao Compasso do Tambor - Pocahontas
-Você viu os dois indo embora juntinhos? Tipo juntinhos mesmo! E tudo parecia partir do príncipe Ben – Evie disse em sussurros alarmados para Mal.
Era sábado de manhã e elas já estavam no vestiário colocando os maios escolares. Mal não se sentia lá muito confortável de amarelo, a cor oposta e complementar de seus cabelos já presos num coque, mas não podia negar que aquela cor realçava seus cabelos tanto quanto gritava por também ser realçada pelo mesmo.
Evie falava sobre a forma como o príncipe Ben saíra junto a namorada. Audrey e Benjamin saíram naquela manhã mais cedo, de braços dados, muito mais pertinho um do outro do que se fosse apenas um gesto cavalheiresco, em direção a um veículo com bandeirinhas reais. Para a princesa má, que já sabia – parte – do plano, aquilo parecia um retrocesso. Mal já tinha outra opinião sobre aquele acontecimento "inesperado" do casal real.
-Isso te preocupa, Evie? – Mal ajeitava o cabelo olhando seu reflexo no espelho. Tentava disfarçar seu sorriso, mas o desdém não se continha com facilidade. Ah Benjamin...
-Claro! Quero dizer... Argh! – Evie fechou os punhos ao resmungar; odiava a forma como Mal colocava suas convicções em dúvida; odiava a forma como Mal conseguia fazer com que ela se questionasse sem fazer muito – Se eles estão mais próximos quer dizer que o plano não vai andar como o planejado...
-Relaxa, princesa – disse Mal já vestindo o roupão, na maior despreocupação para desespero e raiva de Evie.
-Mas você não disse que...
-Eu disse. E vai acontecer exatamente como eu falei.
-Mas então...
-A calmaria sempre precede à tormenta, meu amor – disse escorada no batente da porta, encerrando o assunto tendo a última palavra – Agora, anda logo. Não quero me atrasar.
A menina estava levando muito a sério suas aulas de natação e não gostara de ter perdido um dia de aula. Aliás, todos os quatro estavam levando muito a sério; Mal, porém, tinha mais medo do que os demais, tinha mais motivos para temer aquele elemento.
O professor Benício estava ali, igualmente uniformizado, a expressão neutra, bem mais controlada – sem sinal de medo – do que daquela primeira vez.
-Bom dia – disse ele com sua voz grossa e indiscutivelmente charmosa. As meninas se arrepiaram da cabeça aos pés com aquele som.
-Bom dia, professor – responderam os quatro em desgosto, em diferentes tons e entonações de voz. Ficou claro, claríssimo que aquilo havia sido uma obrigação apreendida com os demais professores, algo não natural para nenhum deles, algo em que não acreditavam.
-Quero pedir algo a vocês antes de começarmos nossa aula – disse num tom firme, os olhos meio cerrados numa expressão pensativa – Quero que respondam "bom dia" apenas quando sentirem que o dia está sendo bom para vocês ou, se quiserem me desejar um "bom dia".
-Então como devemos reagir? – perguntou Carlos.
-Como acharem melhor. Quero autenticidade. Gosto de autenticidade nos meus alunos, portanto, frases feitas não me convencem – esboçou um sorriso, apenas um repuxar de lábios.
-Gosto da sua forma de pensar – disse Mal num tom baixo, porém audível. Benício acenou positivamente para a garota, observando atentamente como os outros três olhavam para ela em sinal de respeito e logo em seguida concordaram com a amiga em frases e acenos.
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Seduzentes
FanfictionExistem formas diferentes de ser mau. A mais interessante de todas elas é arte da manipulação, sedução... Em todos os sentidos da palavra. "Para que colocar fogo no circo? - pensava Mal - Coloque um isqueiro na mão do macaco..." Claro, é uma delíci...
