Dança das Horas - Fantasia
Mal saiu do banho com alguma rapidez, principalmente se em comparação a Evie. O ritual era sempre o mesmo para as duas adolescentes: sair do banho cheias de cremes e hidratantes e óleos; um ou outro, ou mesmo uma combinação de dois. Aqueles escolhidos para uma balada com claro teor sexual e ilícito, pedia cheiros sedutores e marcantes; cada uma com o seu, mas passando a mesma mensagem pelo olfato.
As lingeries também foram escolhidas com carinho. Evie preferiu peças específicas: algo que ela chamava de strappy bra – um sutiã cheio de tiras e recortes geométricos – Mal admirava aquela peça pelos desenhos. E uma calcinha de cintura alta muito comportadinha por sinal. Os dois pretos. Por sua vez, Mal escolheu uma calcinha pequena, realmente pequena toda trabalhada em renda num tom roxo escuro belíssimo. E só.
Evie olhou para a amiga já mordiscando os lábios no que Mal respondia com um sorriso safado. Elas já sabiam bem como a noite acabaria.
As meninas vestiram pijamas e desceram para o jantar. O lado de fora já estava escuro e eles seriam uns dos últimos a se servirem antes da cozinha/refeitório realmente fechar. Carlos e Jay já estavam sentados numa das mesas no interior do refeitório, apenas esperando as duas para atacarem seus pratos. Os quatro com carne grelhada, vegetais na manteiga e purê de batatas. A diferença era os dois meninos com dois ou três pedaços exagerados de carne. O ponto era que eles queriam comer bem, para encher a cara de álcool no restante da noite sem remorso algum.
Mas jantar também era uma forma de disfarçar para os inspetores que eles planejavam fugir. Havia muito poucos alunos ali além deles, não que fizesse diferença, eram somente mais testemunhas de que eles estavam "se preparando para dormir". E conversar sobre os assuntos mais falados do dia só deixaria a situação mais "natural".
-Então... – puxou Evie – Como foi?
-Nunca pensei que veria o garoto levantar o estepe pelo colarinho – disse Carlos – Existe uma Fera no fim das contas.
-Eu só não entendi porquê a Fada Madrinha pediu que você fosse separá-los – disse Jay, olhando para Mal.
-Ela com certeza quer se aproximar, fazer com que eu me sinta importante...
-Conferir alguma responsabilidade, talvez – tentou Evie.
-É uma forma de me manter próxima, sob sua vigilância – explicou Mal – Tenho certeza que ela se interessa pela forma como eu "conduzo" vocês.
-Ela te acha influente – concluiu Carlos com a expressão fechada, já com os pensamentos a mil por hora.
-Bom, mas ela é mesmo – disse Jay para o amigo, sem entender ainda o rumo das coisas.
-Mas ela saber disso é preocupante – disse Carlos explicando para os demais – Ela usar a Mal dessa forma é mais preocupante ainda.
-É como se o time rival planejasse roubar o melhor jogador, o mais influente, o líder – Jay montou sua própria analogia, muito correta por sinal – E com ele, todo o restante do time.
-Mostra uma tendência – disse Evie lembrando de outras situações assim; imediatamente, os três se preocuparam – Ela vai pegar mais no seu pé, com certeza.
-Desde que ela acredite que eu sou somente influente, não me preocupo – disse Mal. Os três sabiam o que ela não havia dito: a menina era bem mais do que apensa influente, era manipuladora. E era tão excepcional nessa arte quanto era em ser líder, em ser influente.
[...]
De volta para seus respectivos quartos para escovarem os dentes e se vestirem. Como os meninos eram mais rápidos – Carlos nem tanto – o combinado era que eles fossem para o quarto das meninas pelos beirais das janelas para então saírem todos juntos.
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Seduzentes
FanfictionExistem formas diferentes de ser mau. A mais interessante de todas elas é arte da manipulação, sedução... Em todos os sentidos da palavra. "Para que colocar fogo no circo? - pensava Mal - Coloque um isqueiro na mão do macaco..." Claro, é uma delíci...
