Pequenas Maravilhas

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Pequenas Maravilhas - A Família do Futuro

Eles caminhavam lado a lado, a conversa fluindo, os passos lentos, sem pressa de chegarem aos portões do colégio. Jay acompanhava a princesa Audrey desde a manhã, e o fazia naturalmente, com prazer. Eles caminharam pelo colégio e, ainda com tempo, se aqueceram para seus treinos com uma corrida pela pista – sabiam que ainda passariam pelo aquecimento em grupo; ele passivo, obedecendo ao capitão Ben já que o treinador estava numa reunião com a diretora, e Audrey liderando as garotas da torcida.

Jay, sem avisar, havia esperado pela menina do lado de fora do vestiário e devorou-a com os olhos assim que saiu: aquele corpo curvilíneo naquele uniforme azul e amarelo ficava maravilhoso. Audrey ao notar a intensidade daquele olhar corara, mas, com coragem, não desviara o olhar. "Vai ser difícil prestar atenção no treino" brincou, depois de "roubar" um selinho; ele havia deixado claro que se aproximaria e ela conscientemente permitiu aquele beijinho breve, furtivo. E realmente, seu olhar se desviou para aquela menina bem mais de uma vez.

Eram poucas as aulas que compartilhavam juntos e naquela sexta-feira, tiveram apenas duas matérias em comum passando por elas juntos; Audrey sempre fazendo a gentileza de facilitar as questões para ele.

Agora, naquela caminhada lenta pelos corredores do colégio, conversavam, trocavam perguntas interessantes, pessoais, mas nem tanto:

-Qual foi... a coisa mais bacana que já te disseram? – questionou ele com um sorrisinho depois de pensar um pouco; ficou claro pela expressão da menina, por seus lábios entreabertos que a pergunta chegara a ser traiçoeira – Nem precisa me dizer quem foi – disse erguendo as duas mãos em sinal de rendição.

-"Não te julgaria" – ela recitou olhando para a frente, depois de um olhar longo de esguelha; seu sorriso pequeno fez com que o menino estremecesse.

-Isso não conta – ele sorriu lembrando da valsa dançada naquela noite fria no início da semana; internamente, seu peito estava tão aquecido com um sentimento tão bom e tão puro que se sentiu flutuar. Ter sido ele a dizer algo tão simples e que fora tão formidável para ela... não tinha preço – Está me bajulando.

-Não estou, não – riu ela. Suas mãos se esbarraram brevemente; a troca de calor os fez sorrir por ser uma energia boa aquela trocada.

Sim, eles haviam ficado algumas vezes como haviam combinado, mas eram meros amassos sem significado maior que a luxúria. Agora não. Agora sentiam que estavam começando, no mínimo, uma amizade. Algo completamente novo para os dois, de diversas formas.

-Não acredito – seu tom de voz delatava brincadeira, por isso ela não se importou com aquelas palavras que, em um outro tom de voz, a teriam destruído – Escolha outra coisa que eu não tenha falado – riu.

-Não sei... – respondeu depois de um tempo; o rosto inclinado a expressão pensativa – Não recebo muitas críticas, e as dicas são meio superficiais. Acho que só recebo elogios frios, sem sentimento, como se fosse esperado já. É como se eu tivesse que ser...

-Perfeita?

-É... Só você tem me dado conselhos descentes – seus olhos umedeceram um pouco – Só você tem parecido se importar de verdade.

-Mas seus pais? Aurora e Philip não...

-Meus pais são maravilhosos – ela suspirou – Cada segundo com eles é uma dádiva. Mas eles são pais – ergueu o ombro – É praticamente uma obrigação amar, respeitar e tratar bem seus filhos – o garoto ficou rígido com aquelas palavras, os olhos perdidos – Desculpe, Jay! Não quis dizer...

-Não – ele interrompeu-a – Não precisa se desculpar por ter pais exemplares. Não é culpa sua os meus serem uma merda – Audrey esboçou um sorrisinho triste, mais em função daquele palavreado deselegante do que por ele recusar suas desculpas – Mas você disse algo... que os segundos são importantes. Isso quer dizer que eles não estão muito presentes ou eu entendi errado?

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