Todo Mundo Tem Um Segredo - Frankenweenie
Nada fazia sentido. Nada estava certo. O mundo era cinza. Ele passou por pessoas, pessoas passaram por ele; somente borrões foram registrados. Ursos e tigres, e demônios caninos. O chão era oscilante, ele oscilava. Máquinas tentavam agarrá-lo. Esguio, se desviou de tudo. Depressa, fugiu de tudo.
Rápido, muito rápido. Ele sempre foi rápido. Colidiu com muros. Tijolos caíram. Foi atingido no ombro. Perdeu o equilíbrio. Se arrebentou nos fundos do armário de seu pai. Uma armadilha. Caiu. Encolheu-se.
Respirar era difícil. Não conseguia puxar ar. Estava tão cansado. Ouviu passos. Saltos, garras. O fôlego preso. A escuridão em seus olhos. Raiva. Muita, muita, raiva. Tortura. A espera era uma tortura. Encolheu-se. Passos, ele ouvia passos. Queria gritar. Se gritasse, seria seu fim. O pior fim.
Medo, tanto, tanto medo... tão mais fácil morrer...
Depois de quase duas semanas completas em intenso estudo, ela tivera sua primeira prova naquela quinta-feira; a maioria do colégio aliás. Somente os primeiros anos tinham começado as provas um pouco mais cedo naquela semana. E o clima no colégio como um todo era de tensão, já que todos precisavam de boas notas para serem autorizados a ir à Coroação.
Jane odiava aquele clima de cobrança.
Obviamente, combinou com o namorado de se encontrarem para um amasso para quebrar aquele clima horrível causado pelas avaliações. Obviamente, pensou nisso tentando agir como uma garota apaixonada, ou mesmo uma garota manipuladora.
O colégio era grande; os corredores, inúmeros. Sempre existia um canto novo para os namorados, ou aqueles que somente queriam se pegar em paz; apesar do namoro não ser proibido, os inspetores enxiam o saco com qualquer inofensivo selinho. Ela e Klaus encontraram aquele pedaço vazio, um hall para três salas inutilizadas no momento, tendo uma fileira de cadeiras estofadas em cada parede. Um cantinho perfeito. E foi lá que marcaram de se encontrar.
A moça chegou primeiro. Escorou a lateral do corpo na parede, de costas para o corredor e esperou. Não foi proposital, mas ela estava bastante sexy naquela posição.
Enquanto esperava seu namorado, sua mente estava longe, divagando sem pretensão; duas cores permeavam o fluxo ininterrupto de pensamentos. Preto tão cheio de sofisticação, tão cheio de morte. Branco tão cheio de morte em algumas culturas, tão cheio de paz. Oposto e complementar. A dualidade constante. Carlos. Ela estava pensando em Carlos De Vil. E não conseguia parar.
O principal motivo de estar pensando nele, era que queria o beijo dele. Queria muito. Desesperadamente. Aquele fim de semana passado juntos em sua casa havia sido o mais intenso de toda sua vida só por tê-lo ali. Lembrava-se que mal conseguira aproveitar direito o jantar com Klaus tamanha sua aflição com a sedução na voz de Carlos mandando-a sair. Ele não fez questão da sua presença. Droga! Ela sentira como se ele a apunhalasse no peito aquela manhã quando Célia Darling apareceu. A mera lembrança fez seus olhos marejarem.
Mas ao mesmo tempo, sua mente continuava presa na manhã depois daquela maratona de filmes. Acordaram muito próximos, porque dormiram muito próximos. E droga! Ela sentira que ele queria tê-la beijado. Ela queria tê-lo beijado. O primeiro beijo tão marcante por si só, ele chamando-a de sua... e apesar de terem ficados juntos na festa de Jay, ela somente se lembrava do beijo mais doce, e mesmo assim não conseguia saber se era açúcar ou chocolate. Sorriu com a própria dúvida.
Ainda sonhava com ele quando dormindo e principalmente acordada. As aulas que passavam juntos chegava a ser um tormento para sua mente. Aquela primeira atividade complementar então ainda era dolorosamente remoída. A dança desajeitada, os toques cuidadosos dos dois, o assunto horrível... Será que foi ali que o perdi? Será que foi ali que desisti de querer tentar?
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Seduzentes
FanficExistem formas diferentes de ser mau. A mais interessante de todas elas é arte da manipulação, sedução... Em todos os sentidos da palavra. "Para que colocar fogo no circo? - pensava Mal - Coloque um isqueiro na mão do macaco..." Claro, é uma delíci...
