Corações Infelizes

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Corações Infelizes - A Pequena Sereia

Na manhã do terceiro dia dos vilões em Auradon, Evie despertou cedo para começar o longo processo de se arrumar; e não podia mentir: amara a água quente do chuveiro. Ela finalmente teria uma aula com o bonito Chad, filho da Cinderela. Apesar de procurar nele um bom brinquedo, ela queria desesperadamente se apaixonar e ter um príncipe e castelo para chamar de seus. Finalmente uma princesa; em todos os sentidos, com todos os adereços.

Ela separou uma saia mais comportada, na altura dos joelhos, um vermelho bonito, o tecido plissado. A blusa, porém, já apelava mais a sensualidade: frente única num branco bonito com disseres num lindo azul "Maldosamente Linda". Para deixar as costas nuas em evidência, seus cabelos teriam que ficar na lateral e o sutiã teria de ser diferenciado. Ainda estava cedo para que ela os prendesse. Tinha tempo para escová-los 200 vezes cada mecha para conseguir maciez e um brilho natural; uma lição aprendida com sua mãe.

Mal começava a se espreguiçar sobre a cama. O livro de feitiços caiu no chão ao seu lado. Evie sabia que ela adormecia lendo aqueles feitiços e suas utilidades da mesma forma que algumas crianças adormeciam ouvindo cantigas de ninar; uma parte de si invejava a magia ser tão forte na amiga, outra parte sabia que suas armas eram outras.

-Já está de pé? – disse com a voz grogue de sono.

-Beleza leva tempo – disse com a voz cantada – Vale à pena, sabe?

-Se for para causar inveja e raiva nas patricinhas e desejo nos príncipes puritanos, eu não me importo. – riu ela pegando o livro caído no chão com todo o cuidado possível.

-Vai se arrumar também, não? Vamos sair as duas lindas e maravilhosas e você vai finalmente conversar com o príncipe Ben...

-Não vou me arrumar, nem falar com o menino-fera.

-Não pode fugir dele pra sempre!

-Consegui por um dia inteiro, Evie. Acho que posso fazer de novo – disse com descaso.

-Vamos ter que saber mais cedo ou mais tarde o porquê de tantos presentes. Não está curiosa?

-Não tanto quanto deveria.

-Mentirosa – riu a princesa.

Mal riu entrando no chuveiro e saindo cinco minutos depois enrolada numa toalha. O penteado de Evie já estava pronto e a princesa lutava contra a indecisão com sua caixinha de joias.

-Ah não, Mal! – gritou ela horrorizada com a escolha de roupa da amiga.

A filha de Malévola vestia um cropped listrado em preto e branco – infinitamente básico – e uma calça jeans naquele modelo boyfriend – mais largado, ligeiramente detonado – com a barra dobrada; ela estava calçando aquele mesmo tênis de couro que ela teimava em nunca amarrar – e milagrosamente, não tropeçava nunca.

-Que escândalo, Evie – reclamou a outra – Assim minha cabeça vai explodir.

-Sim, é um escândalo mesmo! Não pode sair assim! Podia no mínimo colocar um salto – teimou ela – Cabelo, maquiagem... – apelou vendo os cabelos sendo presos num nó no alto da cabeça de Mal.

-Por que está tão incomodada? – Mal prendeu a esfera verde de seu pai numa pulseira, na outra mão colocou a luva roxa habitual – Dessa forma você será a única a chamar atenção, a mais bela de todas! – os olhos de Evie ficaram mais sonhadores; a amiga sorriu. Amava manipular, fosse quem fosse.

-Que pedra eu escolho? – perguntou se referindo aos brincos.

-Azul – Mal sorriu; às vezes Evie era inocente demais para ser uma completa vilã.

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