Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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— Denguinho... — murmurei, beijando o pescoço úmido do Bento, que se enroscava em mim com os bracinhos curtos. Ultimamente ele vinha dormindo choroso, resmungando baixinho, como se o vazio que o Gabriel deixara na rotina dele pesasse até nos sonhos.
— Hoje eu vou ficar com a minha dindinha! — anunciou, sendo arrebatado do meu colo pelos braços da Giulia, com aquele sorriso arteiro que só Bento sabia fazer.
— Pode deixar ele brincar na piscina — permiti, já aliviando o coração ao vê-lo risonho. Eles trocaram de roupa e foram para a área externa. Fui atrás e, ao me aproximar da borda da piscina, ele acenou: — Oi, mamãe! Meu primeiro banho com a minha dinda... e eu tô adorando!
— Só não tô confiando muito! — riu Giulia, tentando se equilibrar com ele grudado em seu cabelo. — Tá segurando com tanta força que parece que quer levar um pedaço da minha cabeça.
Ri, enquanto os latidos dos cachorros anunciavam a chegada dos tios do Bento. Pedro foi o primeiro a se aproximar: — Bentinho! Vem no titio! — ele abriu os braços e Bento se remexeu todo de felicidade. — Me dá o meu sobrinho, vai!
— Ele tá na fisioterapia dele agora — Giulia respondeu, se afastando com Bento nos braços. — Né, titia? Água morna e muito amor.
Aos poucos, ela conseguiu distrair o Bento e afastá-lo da fixação momentânea no Pedro.
— Vai ao hospital agora? — perguntou Murilo, observando minha bolsa abarrotada.
— Sim. Parece que estou me mudando, né? — tentei sorrir. — Mas são só coisas pro Gabriel. A pele dele tá muito ressecada.
Danilo se aproximou, a voz embargada de gratidão: — Obrigado por tudo, por cuidar dele... por ter cuidado da gente naquele dia.
— Ninguém teria a coragem que você teve. Se colocou na frente da bala pra proteger o Gabriel.
— Foi por amor — respondi, sem hesitar. — Eu faria tudo outra vez, quantas vezes fossem necessárias.
— Você acha que posso visitá-lo hoje? — Pedro perguntou, esperançoso.
— Claro. Querem ir agora?
Eles concordaram de imediato. Fomos juntos. No hospital, anunciei o nome de Gabriel na recepção, mas algo na expressão da atendente me alertou. Ela hesitou, digitou novamente.
— Gabriel Hernandez dos Santos não está mais no quarto.
— Como assim? — minha voz já tremia.
— O médico responsável virá falar com vocês.
Meu coração acelerou de forma descompassada. As pernas começaram a formigar, e precisei me sentar. Pedro me olhou, aflito: — Tem ideia do que aconteceu?
Balancei a cabeça em negativa, embora algo dentro de mim gritasse que não era apenas mais um exame.
— Talvez tenham levado ele para exames — sugeri, sem acreditar verdadeiramente.