Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Horas depois.
— A cirurgia correu bem. Optamos por colocar um dreno na cabeça dele para evitar uma nova intervenção — explicou o cirurgião russo, com a voz firme, porém carregada de uma leve preocupação.
— Ele foi encaminhado para a UTI, onde receberá cuidados contínuos. Apesar de ter passado por duas cirurgias em menos de doze horas, ele está estável — acrescentou Sarah, falando com uma calma que mais parecia um esforço para nos confortar.
— Será que ele pode acordar amanhã? — perguntei, tentando encontrar uma fagulha de esperança no meio daquela escuridão.
— Ele ficará em coma induzido durante toda a semana para garantir uma recuperação melhor. Amanhã, pela manhã, vocês poderão visitá-lo. — Sarah pousou a mão delicadamente sobre meu braço. — Sei que será um momento breve, mas muito importante para vocês.
Meus sogros aproveitaram para esclarecer dúvidas com o médico e, logo após, nos despedimos e voltamos para casa. Lá, minha irmã já arrumava as malas para partir.
— Não posso ficar aqui com você, mas eu e o Gustavo vamos segurar as pontas para que mamãe e papai fiquem ao seu lado — disse ela, os olhos brilhando em lágrimas. — Eu te amo. — Beijou meu rosto com doçura.
Queria que ficasse, queria tanto, mas entendo que a vida dela é dela, que ela tem seus próprios caminhos. Só ela ficou e assumiu a responsabilidade da pousada — uma ajuda imensa, enquanto meus pais se revezavam comigo.
— Você está sendo forte demais — disse ela, apontando para minha cabeça. — Saiba que você não salvou apenas o Gabriel, mas também os irmãos dele, a mim e até um desconhecido. Quando ele acordar, pode ter certeza que vai se orgulhar de você, mesmo que reclame para os irmãos. — Sorri, sem mostrar os dentes. — Fica bem, tá? — me olhou, esperando uma resposta que só pude dar com um leve aceno. — Estamos aqui. Se precisar, voltamos na mesma hora. — Beijou minha testa com carinho. — Fica bem.
Eles se despediram, e logo Giulia, que já tinha partido cedo por causa do trabalho, enviou uma mensagem de apoio, prometendo voltar na próxima semana.
"Sei que está difícil aí, mas se cuida. Na próxima semana, estarei com vocês. ❤️🩹"
"Obrigada. ❤️"
Encostei-me na cabeceira da cama, os olhos fixos na parede enquanto lembranças do dia anterior invadiam minha mente — no mesmo horário, eu fazia planos de sair, e agora estava mergulhada numa realidade que parecia não ter fim. Fui despertada pelo choro do Bento, todo sujo.
— Fez caquinha! — murmurei, indo até seu quarto.
— Quero banho, mãe! — ele reclamou, enquanto meu pai e João entravam silenciosos e observavam o banho.
— Para de forçar choro! — João brincou. — Já está limpinho.