Amigos de infância.

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 — Parabéns

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— Parabéns... — acendi a luz suavemente. — Pra você... — Gabriel abriu um dos olhos, sonolento, e sorriu ao me ver com a mini cópia dele no colo. — Nesta data querida... — coloquei o bolo sobre a cama, improvisando uma festinha só nossa, em três vozes. — Parabéns, papai.

— Obrigado... — sussurrou, selando meus lábios com os dele. Pegou Bento nos braços e o cheirou com ternura. — Tá bonitão, hein, cara? E cheiroso!

— Dormiu com a tia e já acordou de banho tomado. — levantei-me, ajeitando a camisola. — Gostou do bolo?

Ele assentiu, rindo com a doçura que só ele tem nas manhãs preguiçosas.

— Melhor marido, melhor pai... — disse com um riso leve.

— Tá falando só pra me agradar, né?

— Não... — acariciei seu rosto. — Você é tudo isso. E muito mais.

Mais tarde, depois de ele se trocar, descemos com o bolo e cantamos parabéns novamente, agora com minha família. Era de abacaxi — o preferido dele. Nada tão elaborado, mas feito com amor.

A ideia de festa surpresa tinha se infiltrado na minha mente desde que ele aprontou uma para mim. O problema é que eu tinha menos de doze horas para dar conta de tudo — mas dei meu jeito. Com minha família toda em casa, consegui ajuda pro buffet, contratei músicos que tocassem o repertório que ele gosta, depois de ele reclamar das músicas da última festa do início ao fim.

— Quero mais dois cachorros. — ele disse com a naturalidade de quem pede pão na padaria.

— Não. — respondi com a mesma firmeza de quem veta uma loucura.

— Por que não? Pode ser de porte pequeno...

— Você quer sempre mais e mais. Quer mais uma mulher também?

— Se for gostosa que nem você, quero mais duas! — dei um tapa de leve nele.

Estávamos na rua com os cachorros, andando sem pressa, só esperando o tempo certo pra voltarmos e a surpresa estar armada. O céu ainda tinha aquela luz indecisa do fim de manhã.

— Não tô boa, não? — perguntei, ajeitando o vestido.

Ele negou.

— Tá maravilhosa! — passou a mão nas minhas costas. — Você estava com essa mesma roupa quando corremos juntos pela primeira vez.

— Lembra?

Ele assentiu.

— Se eu soubesse, me arrumaria mais.

— Não precisa. Gosto de você assim, desarrumada. — beijou minha testa. — Casaria com você mil vezes.

— Eu sei. — murmurei contra os lábios dele.

Os cachorros passaram correndo feito loucos.

— Sem desespero! — ele chamou a atenção deles.

— Quero mais dois! — ironizei, rindo.

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