Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Após Gabriel sair do carro, liguei o som tentando afastar os pensamentos do que poderia estar acontecendo lá dentro do galpão. Não fazia a mínima ideia do que me esperava. Encolhida no banco rebaixado, ouvi de repente o estrondo de um disparo seguido pelo som rápido e seco de uma metralhadora. Nunca tive contato com armas, mas cresci no Rio e reconheci o barulho imediatamente.
— Meu Deus... — levantei a cabeça lentamente e avistei corpos caídos na área externa, enquanto mais tiros ecoavam no interior do galpão.
O desespero me dominou. Meu marido estava lá dentro. Respirei fundo para controlar o medo e sabia que precisava agir rápido. No chão, avistei uma pistola. Lembrei-me de um vídeo curto que assistira no YouTube sobre como destravar uma arma. Saí do carro e caminhei com cautela até os corpos. Um homem fumava ali perto; quando ele se virou de costas, peguei a arma, destravei-a e atirei nas suas costas. Ele caiu de joelhos. Disparei novamente, sem coragem de encarar o homem que acabara de tirar a vida.
Encostei-me ao portão. Quando um rapaz surgiu, não hesitei: atirei, fazendo-o cair aos meus pés.
— Quem está aí? — ouvi uma voz. O fuzil apontado para fora revelou um rosto. Mirei e atirei mais uma vez, ainda sem coragem para encarar a terceira pessoa que matara.
— Me ajuda! — gritei, olhando para cima e adentrando o galpão. Encontrei Gabriel de joelhos, uma arma apontada para sua cabeça. Naquele instante, nada mais importava — ele precisava de mim.
Quando atirei no ombro de Hector, minha intenção era atingir o peito, mas a bala perfurou apenas o ombro. Em resposta, ele disparou contra a cabeça do meu marido.
— Não! — joguei-me à frente de Gabriel, colocando a mão sobre sua cabeça e deitando meu corpo sobre ele, tentando protegê-lo dos tiros.
Hector continuou disparando, rindo de forma cruel enquanto seus tiros caíam sobre nós. Olhei para os irmãos de Gabriel; Danielo se levantou e, com um disparo certeiro, pôs fim àquela ameaça.
Fechei os olhos, lágrimas escorrendo silenciosas. Senti minha mão quente, encharcada do sangue de Gabriel.
— Vívian! — Gustavo me chamou, firme. — Levanta, precisamos levá-lo ao hospital.
— Meu marido... Eu não consegui salvá-lo! — minha voz falhou.
— Temos que ser rápidos.
Meu corpo pareceu adormecer. As imagens passaram em flashes confusos: colocaram Gabriel no carro, seu rosto pálido e frio, coberto com a manta do Bento — agora manchada de sangue. Ao chegarmos no hospital, uma equipe já o aguardava.
Despertei do choque ao ser atendida por uma enfermeira que fazia curativos no meu braço.
— O que aconteceu? — perguntei, olhando para o ferimento.
— A senhora sofreu uma tentativa de assalto. O tiro passou raspando, mas agora está tudo bem — ela sorriu, e eu neguei com olhos marejados.