Capítulo 28

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Anahí

Alfonso estava agindo de uma forma um tanto quanto estranha, talvez não estranha, mas diferente do que eu havia me acostumado, o que me fazia ficar muito confusa.

Quando eu contei a ele os motivos que levaram com que eu me tornasse uma acompanhante, não foi jamais para que ele tivesse pena de mim ou mudasse o tratamento, mas para que entendesse, e que não continuasse a me julgar, mas desde que pisei em sua casa após nossa conversa ele parece outra pessoa, sempre com elogios, gentilezas e carinhos.

Por outro lado, pela sua cara nesse momento, carinhoso ou civilizado é tudo que ele não seria com Ian, já que Maite achou excelente apresentá-lo como seu namorado

- o que você faz aqui? - Alfonso indagou Ian

- Alfonso, não começa - pediu Maite - Ian e eu estamos juntos há algum tempo, só não havia contado ainda pois não era o melhor momento - disse cautelosa, abraçando Ian.

- você, seu filho da puta, está pegando minha irmã há um tempo e achou prudente não me contar? - questionou furioso

- Ah, Alfonso, pelo amor de Deus - Ian falou coçando a cabeça - não tinha como eu contar pra você sem antes ter a autorização da sua irmã. Além disso, não é como se ela tivesse 15 anos! - disse rapidamente

- Alfonso, eu tenho 28 anos e não preciso que você me defenda, pode ir parando com isso - pediu - eu trouxe Ian, ele está aqui, vai continuar, porque se ele não puder ficar eu também não fico - respondeu autoritária

Vi Alfonso olhar de um para o outro, respirar fundo e passar as mãos sobre os cabelos, hábito que já percebi que ele tem sempre que está nervoso

- façam o que vocês quiserem! - falou saindo da sala e batendo a porta em direção à rua

Maite apenas deu de ombros e selou os lábios de Ian pulando de felicidade em seguida

- estou feliz por estarmos todos aqui, apesar dos pesares. Agora, Anahi, deixa eu te apresentar Ian - falou me encarando

- Mai, eu e Ian nos conhecemos - respondi com um sorriso - há anos, antes de Alfonso e qualquer coisa, inclusive, eu já sabia sobre vocês e fiquei muito feliz. Parabéns!

- jura? - perguntou olhando para nós dois que balançamos a cabeça afirmando. Maite me abraçou apertado - obrigada por não ter falado nada para Alfonso, você é a melhor cunhada do mundo mesmo. - falou sorrindo - vou subir para guardar as coisas junto com Ian, caso Alfonso retorne, não tenha medo, ele ladra mas não morde.

Assim que Maite e Ian sumiram do meu campo de visão, suspirei e sai pela mesma porta que Alfonso, caminhei ao redor da casa, chegando à praia e vi que ele estava olhando o mar, me aproximei dele e parei ao seu lado

- Alfonso, tudo bem? - questionei olhando na mesma direção que ele, encarando a imensidão do mar a nossa frente

- não suporto saber que Ian está com minha irmã - falou ainda encarando o mar

- não seja tão rabugento - pedi olhando para ele, que sustentou meu olhar - Ian não é ruim!

- Ian é péssimo! - respondeu em seguida - tenho medo que ele magoe ela, o histórico dele não é nada bom.

- ela está disposta a correr o risco - comentei

- você é advogada dele agora? - perguntou enfezado

- na verdade, não, mas se ele precisasse que eu fosse, eu seria. Desde que conheço Ian ele nunca me deu motivos pra duvidar do caráter dele, com certeza ele deve ter seus erros, assim como todos no mundo, mas não acho que seja uma pessoa ruim! Então, não acho que ele vá magoar sua irmã ao bel prazer dele - falei dando de ombros - e caso se magoem, ela não é criança e saberá lidar com isso. No final, sobreviverá.

- claro, desde que você conhece Ian - sorriu - havia me esquecido como vocês são íntimos - disse me encarando

- está com ciúmes, Herrera? - questionei em um tom divertido, colocando uma mão na cintura e erguendo a sobrancelha - não comece, pelo amor de Deus - pedi- Volte ao seu estado agradável, gentil. - Alfonso bufou e em um movimento brusco, me puxou para ele, fazendo com que eu ficasse de frente para ele

- é que não dá pra confiar em pessoas como você, além disso, eu não gosto que mexam no que é meu! - respondeu autoritário, me soltando com força.

Encarei Alfonso tentando entender a alteração de humor repentina, mas ele não se deu ao trabalho de responder nada, ignorando completamente minha presença, por isso, sai de perto dele e voltei para dentro da casa, onde ouvi as risadas de Maite e Ian.

- Anahí - chamou - domou a fera? - Maite questionou

- eu ainda não tenho esse poder - sorri fraco

- nós vamos na rua comprar algumas coisas para abastecer os armários, quer algo? - perguntou

- não, Mai. Obrigada! - respondi - eu vou subir para arrumar as minhas coisas, com licença - pedi

Subi para o quarto de Alfonso e voltei para a sacada onde eu havia estado mais cedo, conseguia sentir a brisa do mar dali o que me deixava mais calma.

Presa em meus pensamentos, conclui que definitivamente eu prefiro que Alfonso seja o insuportável que ele costuma ser, porque provar do seu lado divertindo e carinhoso e receber o tratamento contrário disso me doeu mais do que deveria.

THE ESCORTOnde histórias criam vida. Descubra agora