Capítulo 76

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Anahi

Cheguei em casa sorrindo, a cabeça repleta de lembranças do dia incrível. Era como se cada momento ao lado de Alfonso trouxesse uma leveza que eu não sentia há tempos. Ao entrar em casa, deixei a bolsa sobre o sofá, tirei os sapatos e me espreguicei, sentindo o corpo pedir por alguns minutos de descanso.

Deitei-me no sofá, os pensamentos ainda vagando entre os lugares que visitamos, as conversas que compartilhamos, e aquele beijo suave no rosto ao nos despedirmos. Foi só um beijo de despedida, pensei, mas não conseguia ignorar a sensação boa que tinha ficado.

Depois de um tempo, levantei-me e fui para o banho. A água morna relaxava meu corpo e lavava qualquer resquício de cansaço. Me permiti demorar, deixando a mente vagar e cantarolando baixinho uma melodia que me fazia lembrar dos momentos alegres do dia. Quando sai, me vesti com um roupão e fui até o armário procurar algo para vestir.

Eu queria estar bonita. Não sabia exatamente o por quê, mas aquela noite parecia especial. Escolhi um vestido preto elegante que moldava meu corpo de forma sutil, mas sofisticada. Sobre ele, separei um sobretudo cinza para me proteger do frio da noite. Peguei um par de sapatos de salto alto que alongavam minha silhueta e comecei a me arrumar com calma.

Na frente do espelho, passei uma maquiagem delicada, destacando meus olhos. Optei por ondular os cabelos, deixando as mechas caírem suavemente pelos ombros. Ao terminar, observei o resultado e não pude deixar de sorrir para mim mesma. Sentia-me bonita, confiante, e até um pouco ansiosa, mas de maneira boa. Com tudo pronto, peguei o celular e enviei uma mensagem para Alfonso.

Mensagem de Anahi

Estou pronta. Podemos nos encontrar no hotel?

A resposta não demorou a chegar.

Mensagem de Alfonso

Perfeito. Te espero no lobby.

Respirando fundo, peguei minha bolsa e conferi o reflexo no espelho uma última vez antes de sair. Quando entrei no carro, um sorriso espontâneo tomou conta do meu rosto. Não sabia exatamente o que aquela noite traria, mas o dia já tinha sido tão cheio de boas surpresas que eu não podia deixar de sentir uma alegria juvenil, uma expectativa que fazia meu coração bater um pouco mais rápido

O caminho até o hotel era curto, e eu dirigi cantarolando a mesma melodia que havia entoado no banho, sentindo que, pela primeira vez em muito tempo, eu estava onde devia estar.

Assim que cheguei ao hotel, deixei o carro com o manobrista e ajeitei o sobretudo enquanto caminhava para dentro do hotel. No momento em que entrei, avistei Alfonso no lobby. Ele estava igualmente elegante, vestindo um blazer escuro e uma camisa que realçava seus ombros largos. Quando nossos olhos se encontraram, ele abriu um sorriso caloroso, caminhando até mim. Sem hesitar, ele me abraçou caloroso pela segunda vez naquele dia, um gesto que já parecia super natural.

- Você está linda! – ele disse, baixinho enquanto me soltava. Sorri, tendo a certeza que meu rosto estava corado

- Você também está ótimo – respondi, ajeitando o cabelo com um gesto tímido.

Seguimos até um restaurante italiano que eu tinha em mente. A atmosfera do lugar era acolhedora, com luz baixa e música suave. Entre um prato de massa e outro, a conversa fluía fácil, acompanhada pelo vinho que parecia tornar tudo ainda mais leve.

- Então, Venice? – Alfonso perguntou, enquanto girava a taça de vinho na mão, um sorriso brincando em seus lábios – acho que você tem preferencia por lugares com alma artística. – sorri, cortando um pedaço do ravioli no prato

- Talvez. Mas Venice é mais que isso, sabe? Eu gosto do contraste. As galerias, os cafés, e ao mesmo tempo, aquele ar meio boêmio... acho, inclusive, que combina com você.

- Comigo? – Alfonso questionou arqueando uma sobrancelha, curioso.

- Sim. – dei de ombros, brincando com o garfo – você sempre apreciou detalhes, mas também sempre apreciou sua liberdade, foi assim que nossa história começou – falei brincando, mas falava sério. Ele deu uma risada baixa, balançando a cabeça

- Isso soa mais profundo do que eu esperava ouvir hoje à noite.

- Eu sou uma pessoa profunda – pisquei, fazendo nos dois rimos.

Após o jantar, decidimos ir ao bar onde eu tinha estado com Dulce na noite anterior. O bar tinha um clima envolvente, com uma música ao fundo e luzes suaves que davam um tom acolhedor. Nós nos acomodamos próximo ao balcão, cada um com sua bebida preferida à frente, um whisky para ele e um martíni para mim. Alfonso tomou um gole de seu whisky, os olhos fixos em mim por um momento

- É curioso, sabe? Sentar aqui com você, depois de tanto tempo...parece ao mesmo tempo familiar e diferente. – ergui uma sobrancelha, mexendo o canudo no martíni.

- Diferente como? – ele sorriu de leve, apoiando os braços no balcão.

- Como se estivéssemos nos conhecendo de novo. Você ainda é a mesma em tantos aspectos, mas ao mesmo tempo, tem tanta coisa em você diferente. – abaixei o olhar para a minha teça, tentado esconder um sorriso leve que insistia em surgir nos meus lábios

- Acho que todo mundo muda um pouco, não é? As circunstancias da vida acabam nos moldando. – Alfonso assentiu, o olhar se tornando mais sério.

- É, mas tem coisas que nunca mudam. Eu ainda sei que você prefere martíni a qualquer outra bebida e que você adora começar o dia com um café bem forte. – sorri baixo

- E você ainda é fiel ao seu whisky e às suas longas caminhadas matinais. – trocamos um sorriso cúmplice, mas então Alfonso mudou o tom de você, sua voz mais baixa

- Eu senti sua falta, Anahi. Todos os dias de todos esses anos e senti ainda mais quando você sumiu, quando parou de responder minhas mensagens depois das Bahamas, foi como se eu tivesse perdido você novamente. – as palavras dele me atingiram em cheio, e eu senti um desconforto crescer em meu peito. A lembrança do motivo que me levou a deixar de responde-lo voltou como uma onda.

- Alfonso... – comecei, mas não sabia como continuar, por isso, mudei o assunto

- E su mãe? Como está? Sempre gostei muito dela. – Alfonso notou a mudança no assunto, mas não me pressionou

- Minha mãe está ótima. Continua com a mesma energia de sempre, ainda mais agora com Lía. Ela vive me cobrando para passar mais tempo com elas. – sorri genuinamente, lembrando-me da mulher calorosa que Ruth era.

- Eu adorava as histórias dela. Ela tinha um jeito tão acolhedor de falar...senti falta dela também. – ele sorriu

- Ela também sempre gostou de você. Tenho certeza de que ficaria feliz em saber que estamos aqui agora. – ele me observava enquanto eu mexia o canudo. Eu estava hesitante, mas o que diria era sincero

- Eu também senti sua falta, Alfonso – admiti – não só das mensagens ou das conversas, mas... de estarmos juntos. – os olhos dele pareceram se iluminar com aquelas palavras, mas ele permaneceu em silencio, me dando espaço para continuar – os dias nas Bahamas foram incríveis – disse, com um pequeno sorriso no rosto – não só pelo lugar, mas porque nos permitiram colocar os pingos nos "is". – Alfonso sorriu de lado, inclinando-se para mim, o olhar firme, mas caloroso

- Eu também acho. Foi importante finalmente conseguirmos falar o que estava preso há tanto tempo – eu assenti, girando a taça

- Foi importante pra mim. Mais do que eu consegui admitir na época – falei, admitindo em voz alta o que eu ainda não tinha tido coragem de dizer. Ele deixou escapar um pequeno suspiro, relaxando na cadeira.

- Pra mim também. – eu o encarei por um instante

- Acho que precisávamos disso, não é? – perguntei, a voz um pouco mais baixa e vi Alfonso concordar, os olhos fixos em mim

- Precisávamos, sim. E de alguma forma, ainda precisamos.

THE ESCORTOnde histórias criam vida. Descubra agora