Anahi
Não queria admitir, mas estar com Alfonso naquele bar, ter estado em sua cama de hotel, jogar verdade ou consequência e ter revelado tudo que revelamos um ao outro foi como tirar um peso das minhas costas. Não que tudo que tivéssemos dito naquela noite fosse só sobre o passado, mas da minha parte, ainda tinham coisas que eu precisava revelar e sinceramente, não sabia como, o divórcio, por exemplo era uma delas e é notável a diferença do Alfonso do passado para o Alfonso que estava ao meu lado na cama, o Alfonso do passado jamais teria sido tão compreensível, jamais se limitaria a respeitar apenas o que eu queria dizer.
A noite foi melhor do que eu esperava, para ser sincera, a noite foi incrível, a manhã nem se fala, mas é como se eu fosse um imã para problemas, quando tudo estava bem, algo sempre aparecia para estragar e nesse momento era Nate, que estava ali, casualmente encostado em uma das colunas do saguão do hotel, enquanto eu e Alfonso saímos do elevador de mão dadas. Ele nos encarou e caminhou lentamente em nossa direção, se dirigindo a mim, apenas
- eu sabia – sua voz soou como um veneno escorrendo lentamente – sempre soube que você era exatamente isso, Anahi. Uma prostituta que nunca vai deixar de ser. – as palavras dele me atingiram como um golpe no estomago. Por um momento, congelei, minha respiração falhou. Alfonso, ao meu lado, endureceu instantaneamente, seus músculos retesando como se estivesse pronto para atacar .
- Repete isso – a voz de Alfonso saiu baixa, mas letal. Um aviso. Nate riu, balançando a cabeça com ironia, seus olhos faiscando de diversão cruel.
- O que foi? Vai fingir que não sabia? Vai querer bancar o defensor dela? Vamos lá, Alfonso, não me diga que você realmente caiu nessa? Você acha que é especial? Que ela mudou? – ele ergueu uma sobrancelha, provocador – ela pode se enfeitar do jeito que quiser, vesti roupas de grife, comandar uma empresa, casar-se com um homem como eu, mas no final do dia, sempre volta a ser quem sempre foi. Você sabe tão bem quanto eu, essa mulher só sabe fazer uma coisa: abrir as pernas para quem for conveniente – soltou um riso curto – foi assim comigo, vai ser assim com você.– senti meu peito apertar, uma mistura de raiva e vergonha fervendo dentro de mim. Abri a boca para retrucar, mas Alfonso foi mais rápido. Com um movimento brusco, avançou em direção a Nate, segurando-o pela gola da camisa e o empurrando contra a coluna mais próxima.
- Fala mais uma palavra. Só mais uma. – o tom dele era perigoso, os olhos fixos nos de Nate com uma fúria contida. Nate não demonstrou medo. Pelo contrário, sorriu de lado, como se estivesse gostando, como se fosse tudo que ele quisesse
- O que foi? Me bate? – ele provocou – porque se fizer isso, só vai provar que eu estou certo. Você acha que ela não quer isso? – Alfonso cerrou o punho, respirando fundo para se controlar. A simples ideia do que Nate estava insinuando, parecia fazer algo perigoso crescer dentro de Alfonso, mas ele desistiu, não dando esse gostinho para ele. Com um movimento brusco, soltou Nate e deu um passo para trás.
- Você não vale a pena. Some da minha frente. – Nate ajeitou a camisa amassada e sorriu, satisfeito.
- Boa sorte, Herrera. Você vai precisar – avisou, antes de se afastar, levando consigo aquela aura carregada de veneno. Eu ainda sentia o impacto das palavras de Nate reverberando dentro de mim. Meu coração martelava fora do peito, e minhas mãos tremiam levemente. Alfonso virou-se para mim, segurando minha mão com firmeza, puxando-me para perto.
- Ei... – sua voz soou mais suave agora, um contraste gigante com a fúria de segundos atrás – não escuta ele. Ele só quer te machucar - respirei fundo e assenti, tentando me livrar do peso das palavras de Nate.
- Vamos embora daqui – falei, minha voz saindo firme apesar da bagunça interna que eu estava. Alfonso não hesitou, entrelaçou seus dedos aos meus e me guiou para fora dali, mantendo-me perto.
O silencio dentro do carro era confortável, mas carregado de significados. Alfonso dirigia o meu carro enquanto o GPS indicava o caminho até a minha casa. Ele mantinha a mão direita entrelaçada à minha, enquanto usava apenas a esquerda para guiar o veículo.
De tempos em tempos, ele apertava levemente os meus dedos, e quando eu finalmente tive coragem de encara-lo, encontrei um olhar repleto de compreensão. Alfonso não precisava dizer nada, seu toque e sua presença já falavam o suficiente.
- Estou bem-disse, mais para mim do que para ele. Alfonso não me contestou, mas manteve sua mão firme na minha, como um lembrete silencioso de que, se eu precisasse, ele estaria ali.
Quando finalmente chegamos, Alfonso estacionou o carro na garagem e olhou ao redor
- Você tem uma casa muito bonita – comentou, genuíno, me fazendo sorrir.
- Precisei passar por algumas reformas, mas ficou do jeito que eu queria – falei descendo do carro e guiando ele até a entrada.
- Fique à vontade enquanto eu troco de roupa – falei, deixando-o na sala e subindo para o meu quarto.
Aproveitei o momento sozinha e tomei um novo banho rápido, lavando os cabelos rapidamente, vesti uma roupa quente e passei meu perfume, respirei fundo ao me ver no espelho, tentando esquecer o que Nate havia dito, mas era impossível, torcia para que esse Alfonso não tivesse a mesma opinião sobre mim, porque o Alfonso do passado teria, com certeza.
Desci o mais rápido que pude, não queria deixar Alfonso esperando por muito tempo, embora acredito que tenha deixado. Ao chegar o andar debaixo, vi que ele olhando através de uma grande janela no canto da minha sala de estar, me aproximei dele devagar, sem querer assusta-lo
- Por que você está sorrindo assim? – perguntei olhando-o e sorrindo também. Alfonso virou devagar, com o semblante tranquilo
- Eu estava imaginando você ali fora, cuidando dessas plantas – apontou para o jardim, me fazendo sorri
- Se não fosse pelo meu jardineiro, não haveria planta alguma. Sou péssima com isso. – ele riu de leve e me puxou para um abraço
- Mesmo assim, eu gosto da ideia.
Me deixou envolver no abraço, sentindo o calor reconfortante do seu corpo. Alfonso deixou um beijo topo da minha cabeça, como se dissesse silenciosamente que estava ali, e que nada do que Nate dissesse mudaria isso.
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THE ESCORT
Fiksi PenggemarOntem quando saí da cama osol caiu no chão e rolou pela grama as flores decapitaram a si mesmas a única coisa viva que sobrou foi eu e eu já não sei se isso é vida.
