Capítulo 103

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Alfonso

O apartamento estava um completo vazio sem ela. A cama ainda tinha o cheiro de Anahi, o perfume leve que sempre me fazia querer perder horas apenas respirando sua pele. Mas agora, tudo o que restava era um vazio sufocante. Me forcei a sair dali. Precisava reagir. Precisava resolver.

Caminhei com passos duros, o maxilar travado e o sangue fervendo até o escritório, onde a minha equipe já estava em posição. Telas espalhadas mostravam gráficos, rastreamentos, dados. Cada segundo contava. Eu estava pagando uma fortuna para os melhores especialistas em cybersegurança do mundo e, mesmo assim, parecia como secar gelo.

— Quero cada foto, cada dado, cada maldita postagem deletada — rosnei, encarando um dos analistas. — Façam sumir. Nem que eu tenha que comprar as redes sociais inteiras.

Eles assentiram em pânico. Sabiam que eu estava no limite.

Foi quando meu celular vibrou. Uma mensagem dela.

Mensagem de Anahi

"Preciso conter os danos. Não posso ver tudo ruir sem tentar impedir. Estou indo para LA, mas volto. Juro que volto."

O frio na espinha foi imediato. Um soco no estômago. Minha primeira reação foi correr até o painel de controle, abrir os sistemas de rastreamento, checar tudo. Ela era esperta. Sabia que se me avisasse antes, eu impediria.

Apertei o celular contra a palma. Era tarde. Ela já tinha mandado a mensagem do embarque. Merda.

Gravei um áudio imediatamente.

Mensagem de Alfonso

"Me avisa quando pousar. Estou indo atrás de você."

A voz saiu mais desesperada do que eu gostaria.

Assim que ela pousou ela me informou que havia chegado e que estava indo direto para a empresa, eu tentei ligar para ela alguns minutos depois, cerca de cinco minutos após receber a mensagem, mas a ligação só dava caixa postal.

As horas começaram a se arrastar. Três. Quatro. Cinco horas. Nada. Minhas mensagens não chegavam mais, a ligação só dava caixa postal. O desespero começava a me corroer por dentro.

Liguei pra Dulce. Ela atendeu no segundo toque.

— Me diz que você falou com ela. — Minha voz tremia.

— Não... Não consegui. Eu... eu estou tentando desde que ela desembarcou. Ela deveria ter respondido há horas, Alfonso. Há horas! — A voz de Dulce soava trêmula, quase desesperada. — Eu tenho medo... Eu tenho muito medo que Nate tenha feito alguma coisa.

Meu coração afundou. E naquele instante, eu soube. Soube, com uma certeza devastadora, que algo tinha acontecido. Algo terrível. E que ele estava por trás disso.

Nate.

O ar ficou pesado. O mundo pareceu girar. Minha visão se turvou por um segundo.

— Ele fez. — Afirmo, a voz saindo como uma lâmina. — Ele fez alguma coisa.

Corri até a mesa, joguei os papeis pro alto, liguei para meu chefe de segurança.

— Quero rastreamento completo do voo. Quero câmeras do aeroporto. Quero cada maldito taxi que saiu dali. Ache ela. AGORA.

E naquele instante, nada mais importava.

Nem a HE. Nem dinheiro. Nem reputação.

O mundo podia queimar. Porque, se algo acontecesse com ela, eu queimaria tudo com ele.

Capítulos finais. 

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