Capítulo 74

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Anahi

Uma semana havia se passado e eu ainda não tinha tomado coragem de voltar pra casa, ao menos os meus dias estavam sendo intensos e me ocupando 100%. O trabalho me trazia uma avalanche de demandas que me fizeram mergulhar de cabeça tomando todo o meu tempo. O medo que havia sentido na semana anterior agora vinha sendo substituído por uma sensação de determinação, de acabar com tudo isso logo.

No meio da semana, recebi uma ligação do meu advogado me informando que já havia dado entrada na documentação e que, em breve, uma audiência de conciliação seria marcada. Ouvi tudo com atenção, sentindo um misto de alívio e nervosismo. Apesar de estar certa da minha decisão, eu não podia negar que o fim do casamento marcava o encerramento de um capítulo importante da minha vida.

- Obrigada, doutor. Por favor, me avise assim que a data for definida – disse com firmeza antes de encerrar a ligação.

Ao longo da semana, Alfonso se tornou uma constante inesperada em minha vida. Voltamos ao ritmo de conversas e nos falávamos todos os dias, geralmente à noite, após nossos compromissos. Eu ainda sentia um misto de medo e hesitação com essa reaproximação, mas, ao mesmo tempo, sentia-me bem com ele. Sem sombra de dúvidas, ele nada lembrava o Alfonso de quase cinco anos atrás que tanto me machucou. Mesmo sem admitir para mim, eu ansiava por aqueles momentos no final do dia, o momento em que eu me deitava e conversamos por algum tempo. Apesar disso, ainda havia uma barreira grande dentro de mim. O medo de confiar nele novamente ainda existia, mas o som de sua voz fazia com que as coisas difíceis do dia parecessem mais leves.

Na sexta-feira, após uma semana refugiada no apartamento de Dulce, decidi que era hora de voltar para a minha casa, mas antes de partir, agradeci Dulce com um abraço apertado.

- Obrigada por tudo, Dul. Não sei o que faria sem você.

- Ah, Ani, você é forte. Só precisava de um empurrão. E não se esqueça, se precisar, minha casa está sempre de portas abertas.

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Ao chegar em casa, senti um misto de familiaridade e desconforto. A casa parecia diferente, carregada devido ao último acontecimento ocorrido ali, além de estar cheia de memorias que eu apenas queria esquecer. Suspirei profundamente e, com uma decisão firme, comecei a agir.

Tirei todas as roupas de Nate do guarda-roupas, coloquei tudo em caixas e daria para a doação. Em seguida, fiz o mesmo com objetos que traziam qualquer lembrança dele, fotografias, presentes, livros que ele havia deixado. Ele não mora mais ali e eu não queria nem a sombra dele perto de mim.

Reforcei a segurança com mais câmeras e instalei novas travas de segurança em todos os locais, portas e janelas que ainda não tinham.

Quando terminei, a casa parecia diferente, mais vazia, mas ao mesmo tempo, carregava uma sensação de paz que eu não sentia há tempos. Eu sabia que ainda havia muito a enfrentar, mas, pela primeira vez em semanas, sentia minha vida de volta aos eixos.

Depois de uma tarde inteira de faxina, Dulce e eu fomos a um bar novo no centro da cidade. Entre drinks elaborados e conversas descontraídas, nós duas riamos, falando sobre trabalho, futuro e tudo que não fosse pesado para não estragar o clima.

- Era disso que você precisava – Dulce comentou, sorrindo enquanto erguia o copo para um brinde.

- Você está certa. Obrigada por insistir, como sempre – respondi sorrindo, sentindo-me mais relaxada.

Depois de algumas horas, seguimos para nossas casas. Eu ainda tinha aquela sensação leve e gostosa do momento do bar, tomei um banho rápido e chequei o celular, Alfonso não tinha enviado nenhuma mensagem, decidi encerrar a noite, deitei-me sobre a cama, deixando me levar pelo sono tranquilo.

THE ESCORTOnde histórias criam vida. Descubra agora