Alfonso
Era sábado, apesar do quarto escuro, era possível ver umas frestas de luz e eu acordei com a sensação de estar renovado, os músculos relaxados após uma boa noite de sono em minha cama.
Peguei o celular, ainda meio sonolento, e vi que havia uma mensagem simples de Anahi dizendo que havia chegado bem, e isso foi o suficiente para alegrar meu dia, saber que ela estava bem e segura me fazia sentir bem e saber que ela havia lembrado de me avisar também. Com os dedos ainda pesados pela sonolência, enviei uma mensagem para ela.
Mensagem de Alfonso
Bom dia, Anahí. Quem bom que chegou bem, obrigada por avisar.
Não esperei por uma resposta imediata, sabia que com a diferença de fuso, ela certamente ainda estaria dormindo, uma vez que em Los Angeles ainda era madrugada. Sem pressa, me levantei e fui até o banheiro me preparando para retomar minha corrida matinal de todos os dias. Tomei meu pré treino e saí do prédio, atravessando a rua com calma pronto para voltar aos exercícios.
O dia estava indeciso entre o céu ficar azul ou nublado, mas estava frio, o outono se anunciando, lembrei-me de quando estive ali e encontrei Anahi, ajudando-a depois de cair e ela me acusando de estar perseguindo-a. Com a lembrança fresca na memoria, tirei uma foto do parque e enviei para ela
Mensagem de Alfonso
Eu bem que podia te encontrar por aqui hoje como da última vez
Depois de enviar a mensagem, programei o cronometro e inicie a corrida, o vento frio entrando em meus pulmões e o ritmo da minha respiração se alinhando com o som dos meus passos pelo parque me tranquilizavam. Corri por cerca de uma hora, sentindo o corpo aquecer, mas ainda com o frescor da manhã preenchendo minhas narinas. O pensamento em Anahi ainda estava ali, como uma constante na minha mente, mas eu tentava me concentrar na corrida, tentando deixar o resto pra depois.
Depois de correr, voltei para cobertura, tomando um banho quente e me preparando para ir ao hospital ver Maite e Lía. Miranda já havia preparado o café da manhã e eu sentei-me à mesa, comendo em silêncio, a mente longe, repassando tudo que eu faria durante o dia. Chequei o celular, mas ainda não tinha nenhuma mensagem dela.
Dispensei Taylor naquela manhã e fui ao hospital dirigindo, assim que cheguei lá encontrei minha mãe e Maite conversando no quarto, abracei as duas, desejando bom dia. Maite estava claramente cansada, os olhos tristes, sabia que ela tinha muito para lidar e só me restava estar ao lado dela.
- Queria tanto que Lía saísse logo da incubadora – falou pensativa, segurando as lagrimas.
- Logo ela saíra, tenha um pouco de paciência– pedi apertando sua mão.
Minha mãe, sempre mais calma, estava ali apoiando Maite junto a mim enquanto Ian descansava em casa depois de ter passado a noite no hospital. Enquanto estava ali com elas, chequei o celular mais algumas vezes, esperando por alguma mensagem de Anahi, mas nada veio.
Durante as horas me apeguei ao fuso, imaginando que, de repente, ela ainda estivesse dormindo, mas algo me deixava inquieto e eu não sabia o que era. As piadas de Maite e da minha mãe sobre o fato da minha atenção estar no celular não passaram despercebidas, mas eu preferi ignorar. Eu tinha consciência do que estava acontecendo, e não queria mais ninguém envolvido nos meus sentimentos.
O restante da manhã passou o mais tranquilo possível, enquanto Maite foi a UTIN tirar leite para Lía, eu observei as duas pelo vidro que tinha ali. Desejei internamente que lia estivesse bem logo e que tudo isso passasse.
No inicio da tarde fui para a empresa, depois de passar cinco dias fora precisava checar as coisas e revisar alguns contratos e fiz isso durante toda a tarde, embora estivesse imerso no trabalho, minha mente vagava a todo momento para longe, especificamente para ela. Será que ela estava com o marido? Será que ela estava aproveitando o sábado com ele, nos braços dele? A ideia mexia com minha cabeça e automaticamente me irritava por eu estar aqui, longe, esperando por algo que talvez nunca acontecesse. Decidi que não enviaria mais mensagens. Era um erro continuar alimentando algo que claramente não existia, não pra ela.
Voltei pra casa quando já havia anoitecido, apesar de Miranda ser uma boa conselheira, em seus melhores dias, hoje eu não tinha paciência para conversar com ela, então dispensei a mesma, indo direto para o meu bar. Peguei uma garrafa de uísque e preparei uma dose, virando-a de uma única vez, sentindo o calor da bebida enquanto observava a noite sobre a cidade que estava viva e a todo vapor, New York nunca estava sozinha, diferentemente de mim, que me sentia mais sozinho do que nunca.
Parado ali, onde ela costumava estar ao que parecia uma vida atrás, pensei no que poderia ter sido. De repente, se eu tivesse sido menos covarde no passado, talvez ela estivesse ao meu lado agora, talvez fosse nos meus braços que ela estaria depois de voltar de uma viagem de negócios.
Com a confusão de pensamentos e sentimento, tomei um banho e fui para a cama, o álcool me entorpecendo ainda com a esperança de que, de alguma forma, ela fosse lembrar de mim e me respondesse, mas novamente, nenhuma mensagem chegou e eu sequer podia culpa-la. Sabia que ela estava em outro lugar, com outra pessoa, e esse era o preço que eu teria que pagar por ter sido o grande idiota que fui.
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THE ESCORT
FanfictionOntem quando saí da cama osol caiu no chão e rolou pela grama as flores decapitaram a si mesmas a única coisa viva que sobrou foi eu e eu já não sei se isso é vida.
