Capítulo 73

257 24 9
                                        

Alfonso

Acordei cedo naquela segunda-feira, a cabeça ainda pesada da conversa com Ian na noite anterior, tocar naquele assunto nunca seria fácil pra mim, pois, apesar dos anos terem passado e eu ter entendido muita coisa, a ligação de Ian e Anahi ainda era algo que me incomodava até hoje. Deixei os pensamentos de lado e vesti minha roupa de corrida, amarrando os tênis com uma precisão quase mecânica, enquanto os pensamentos martelavam em minha mente. A mensagem não respondida de Anahi estava lá, como uma pequena faísca que eu não conseguia apagar, e o que Ian dissera me incomodava mais do que eu queria admitir.

Tentei afastar as ideias durante a corrida. O ar fresco da manhã e o som rítmico dos meus pés batendo no asfalto deveriam ser suficientes para acalmar minha mente, mas a cada quilômetro, novas imagens surgiam, Anahi, nos braços do marido, recebendo e dando carinho, se amando com ele, rindo de algo que eu jamais teria dito. A ideia me corroía, o ciúme surgindo como uma sombra indesejada. Por que ela não me respondeu? Me perguntava, e a resposta que a minha mente criava só piorava tudo. Não sentir ciúmes, dadas as circunstancias, era impossível.

Voltei pra casa suado e frustrado, o banho quente servindo apenas como um breve alívio. Quando finalmente cheguei à Herrera Enterprise, já estava reativo, respondendo e-mails com mais agressividade do que o habitual e cortando conversas em reuniões que normalmente me interessariam. Tudo ao me redor parecia me irritar, mas eu sabia que o problema não era o trabalho.

No inicio da tarde, enquanto revisava uma proposta complicada, o meu celular vibrou. Eu olhei para a tela, e lá estava.

Mensagem de Anahi

Me desculpe pelo sumiço, problemas de última hora. Como você está?

Encarei o texto por um longo momento, os dedos parados sobre o teclado do celular. Eu estava chateado, sabia disso, e o fato de estar irritado com ela me incomodava ainda mais. Eu sabia que não tinha direito de me sentir assim, mas a emoção era inevitável.

Por que agora? Pensei, cerrando a mandíbula. Queria perguntar o que tinha acontecido, queria responder que estava com saudades, mas sabia que não deveria. Ela não era minha, e provavelmente nunca seria. Decidi ignorar a mensagem por ora, deixando o celular de lado e me jogando de volta ao trabalho.

Pouco tempo depois, meu humor piorou ao saber de algo que ninguém pensou em comunicar ao CEO da empresa, no último dia de convenção, houve sorteios, e um dos prêmios era uma imersão de um mês comigo na minha empresa. Não recebi a notícia com alegria e me perguntava mais uma vez como diabos organizam algo desse tipo sem me consultar? Um mês inteiro com algum iniciante? Não tinha problemas com pessoas que estavam começando, mas a ideia de perder tanto tempo orientado alguém enquanto deixava outras prioridades de lado me parecia absurda. Meu estresse só aumentava.

No final do dia, juntamente a minha mãe e Maite, fomos ao hospital visitar Lía. A médica informou que se ela continuasse ganhando peso no ritmo atual, logo teria alta e a noticia trouxe um raro sorriso aos nossos rostos. Liberaram o acesso de Maite a UTIN, que assim que voltou chorava, sendo consolada por nós.

Depois do hospital, fomos todos jantar na casa de Maite para lhe fazer companhia, não queríamos que ela ficasse muito tempo sozinha, ela estava triste e tínhamos medo que pudesse evoluir para uma depressão pós parto. A noite foi tranquila, cheia de conversas e planejamentos para quando Lía estivesse em casa, mas assim que sai de lá, voltei a ser consumido por pensamentos. Durante o trajeto para casa, decidi finalmente responder à menagem de Anahi

Mensagem de Alfonso

Olá, Anahi. Certo. Espero que tenha resolvido. Por aqui está tudo indo...

THE ESCORTOnde histórias criam vida. Descubra agora