Ian
Voltei para casa exausto e com um Alfonso no meu pé.
Já havia dito diversas vezes que ele não entraria em minha casa, tão pouco encontraria Anahi lá, ainda assim, ele me seguiu da empresa até o meu apartamento.
- você sabe que está perdendo tempo né? - questionei enquanto entrava no elevador, sendo interrompido pelo porteiro
- Sr. Ian - chamou me fazendo segurar a porta - deixaram isso pra você! - falou me entregando um pequeno envelope.
- obrigado! - respondi analisando o envelope pequeno
- Não há problema em perder tempo, eu só quero falar com Anahi! - respondeu seco
Suspirei enquanto o elevador subia. Eu tentei falar com Anahi o dia inteiro através do meu telefone fixo para saber se ela estava bem, já que ela preferia não usar o seu celular, mas ele chamava e ninguém atendia, imaginei que ela não quisesse atender, mas chegou um momento que eu comecei a me preocupar.
Abri a porta do apartamento e o mesmo estava completamente escuro, ascendi as luzes e meus olhos rapidamente avistaram outro envelope próximo a tv, o que me chamou atenção
- onde ela está? - Alfonso questionou da porta
- Alfonso, eu juro que se você ultrapassar essa porta, você vai sair daqui no carro da polícia! - falei abrindo o envelope, e entendendo o fato da casa estar silenciosa e escura assim que iniciei a leitura da folha com a caligrafia bonita que estava dentro daquele envelope.
"Querido Ian, primeiramente quero te agradecer por tudo que fez por mim desde sempre, por ter se preocupado e ter sido meu ombro amigo em diversos momentos e principalmente no momento em que eu mais precisei. Espero que entenda os meus motivos, mas eu já não podia mais suportar o ar de New York. Eu cheguei a cidade repleta de sonhos e de uma vida melhor para mim, de teatralmente melhor para a minha avó e terminei sem nada, não quero sofrer mais, tão pouco atrapalhar sua vida. Hoje, sinto a necessidade de iniciar a vida em um novo lugar, onde as pessoas não me julguem pelo o que eu fui ou pelo que sou, que elas não tenham vergonha de mim e que novas oportunidade me surjam.
Não leve isso como um adeus, mas como um até logo, eu sei que em algum momento eu ainda irei te reencontrar e contaremos felizes sobre nossas vidas, mas hoje, eu não posso mais estar aqui. Espero que me entenda!
Com carinho, Anahi!
Obs: deixo as chaves do meu apartamento e carro para que você, a única pessoa em quem confio, de um rumo para eles. Se for vender, aplique o dinheiro e deixe render. Confio em você!
Obs2: há em meu quarto um fundo falso no armário onde tem uma maleta com todo dinheiro que Alfonso me pagou, devolva-o para mim e caso ele cogite me procurar, impeça. Eu amo você!"
- Ian, eu só quero falar com ela e... - Interrompi Alfonso
- Ela foi embora! - falei com os olhos fixos na carta em minhas mãos
- ótimo, melhor mesmo, além de ser mais prudente ela estar sozinha do que com você no apartamento dela fica mais fácil de ... - interrompi Alfonso novamente
- ela não foi embora para a casa dela, ela foi embora da cidade, quem sabe até do país - falei entregando a carta em suas mãos e assim que ele iniciou a leitura, percebi através de seus olhos que ele tinha entendido tudo - ela não vai voltar! - falei orgulhoso, mas também triste - espero que saiba que muito disse tem a ver com você.
- eu nunca conseguiria dar a ela o que ela precisava, Ian - respondeu um tanto quanto triste
- isso por que? Por que ela era uma acompanhante de luxo? - questionei pegando a carta de suas mãos - você quem começou com isso, Alfonso, podia simplesmente ter acabado, mas eu via o que você fazia, você não deixava ela sair de perto, você não a queria longe
- eu me afeiçoei a ela - respondeu atordoado
- não, você não confiava nela e era cômodo manter ela ao seu lado - falei tranquilo - e sabe, olhando de fora eu tenho certeza que da parte dela, ela passaria por cima das mágoas e ficaria com você. Na viagem à praia ela te olhava com carinho, mas agora nada disso interessa, você perdeu ela! - ia sorrir ao dizer isso em alto e bom som, mas Alfonso me pegou pela camisa, me puxando
- eu perdi ela ou você está escondendo mais uma vez? - questionou transtornado
- fique a vontade para revirar a minha casa - respondi - mas acho melhor você começar a lidar com a realidade.
Alfonso empurrou Ian e sumiu pelo corredor de seu apartamento, vasculhando cômodo por cômodo, até mesmo dentro dos móveis procurou
- não tenho porque mentir, Alfonso! - falei observando-o
- eu perdi ela! - falou se dando conta da situação
- sim, você perdeu ela!
Fim da primeira fase.
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THE ESCORT
Hayran KurguOntem quando saí da cama osol caiu no chão e rolou pela grama as flores decapitaram a si mesmas a única coisa viva que sobrou foi eu e eu já não sei se isso é vida.
