Capítulo 66

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Alfonso

Desviei o foco daquela conversa, sabia que o sentimento de Maite com relação a Anahi não mudaria enquanto eu não colocasse as cartas na mesa e contasse as circunstancias na qual nos envolvemos, mas ainda não era hora pra isso, principalmente nesse momento.

Enquanto estava ali com Maite, senti os olhos pesarem, e a noite de sono mal dormida cobrava seu lugar, o que me fez adormecer por um tempo que não faço ideia, mas acordei com Maite jogando um travesseiro em mim

- Seu celular está tocando, Alfonso. Aliás, ele não para de tocar – respondeu enfezada. Ainda grogue e um pouco confuso, pisquei algumas vezes antes de ver o nome de Anahi no visor. Surpreso, me ajeitei timidamente, atendendo a ligação ali mesmo na frente de Maite.

- Olá – atendi, tentando controlar o tom de voz pra não parecer tão animado na frente da minha irmã – vou só...sair um pouco para atender – falei para que Maite ouvisse e ela assentiu. Caminhei para a sala de espera e parei no corredor – Oi, desculpe, estava com Maite.

- Oi, Alfonso – falou serena – liguei pra saber como estão as coisas? – a preocupação sincera na voz dela me fez relaxar e eu me peguei sorrindo sem nem mesmo perceber que estava fazendo.

- Estamos bem... ou o melhor que podemos né? Lía está na incubadora, mas os médicos estão otimistas. Maite está lidando com tudo da melhor forma que consegue, e Ian também. No geral, ficaremos bem – respondi calmo, mas em meio a pausa, aproveitei para mudar o foco da conversa – e como foi o último dia de convenção?

- Fico feliz. Vai ficar tudo bem! – suspirou – foi bom, ganhei um sorteio, acredita? – ela disse com uma nota de orgulho e uma risada suave.

- Olha só você, parabéns! Sabia que você sairia daí com algo – ela riu, o que trouxe um calor familiar naquele momento, me fazendo relaxar um pouco mais, me sentindo grato por ouvir a voz dela depois da noite cansativa que tive.

- Obrigada – ela agradeceu do outro lado da linha, enquanto eu ouvia um barulho de zíper sendo fechado – estou só organizando tudo para ir para o aeroporto, se o voo não atrasar, passarei as próximas cinco horas sem conseguir nos falar – respondeu com um suspiro

- Tudo bem. Acho que passarei as próximas horas na cama – respondi sorrindo baixo – mas você se importaria de me avisar quando chegar? Sei que... bem, as coisas podem ficar complicadas quando você estiver em casa, mas, se puder, ficarei tranquilo de saber que chegou bem.

- Claro, eu aviso – ela respondeu, um tom suave na voz, mas algo indefinido pairava na sua voz – Alfonso, só pra você saber, eu irei te avisar, mas provavelmente as coisas sejam mais complicadas e talvez não consigamos nos falar com frequência quando eu estiver de volta – contive a respiração, absorvendo aquelas palavras, queria tê-la comigo, nem que fosse dessa forma, mas sabia que não seria simples.

- Eu entendo, Anahi. Estou ciente que as coisas possam ser diferentes, mas quero que saiba que, independente de qualquer coisa, estou aqui.

- Obrigada, Alfonso. E... dê um beijo em Lía, desejo que ela fique bem logo.

- Pode deixar – falei sorrindo – boa viagem, Anahi... até logo.

Encerrei a ligação, mas ainda fiquei ali por alguns segundos com o telefone na mão, encarando o visor como se aquilo fosse traze-la até mim, soltei um suspiro pesado, guardando o celular no bolso junto com as minhas emoções.

Voltei para o quarto, tentando disfarçar a expressão, não era como se eu não soubesse que Anahi tem um marido, que a nossas noites foram ótimas, mas que talvez fosse só aquilo, mas ainda assim, me incomodava. De qualquer forma, me sentia feliz pelo simples fato de ter restabelecido o contato com ela, ainda que mínimo. Se eu não tivesse sido tão idiota lá atrás, seria ela agora, ao meu lado, vivendo esse momento em família e eu me odiava muito por ter sido aquele cara.

- Está tudo bem, Alfonso? Algum problema no trabalho? – perguntou me encarando e eu soltei uma risada baixa, nervosa, acenando com a mão para minimizar a questão.

- Sim, sim, só algumas coisas da empresa. Nada que precise de atenção urgente. – Maite cruzou os braços e estreitou os olhos, olhando para mim com um sorriso malicioso

- A mim você não engana, irmão. Isso não é cara de problema no trabalho. Tem uma mulher nessa jogada e eu sei disso – balancei a cabeça, tentando desviar, mas ela insistiu no assunto – estou feliz que você está seguindo em frente. Nada de ficar preso ao passado com aquela mulher – ela fez uma careta teatral e completou – já era hora.

- Sabe, você precisa descansar, está começando a ficar doidinha – falei sorrindo, cutucando Maite de leve no braço. Ela sorriu, me dando um leve tapa, mas logo se recostou, a fadiga finalmente a alcançando. Observei ela por alguns instantes, ainda sorrindo, mas senti um aperto no peito. Ignorei a provocação de Maite sobre Anahi e era a decisão mais fácil, mas eu estava consciente que esse sentimento estava longe de ser simples de lidar.

Após passar meu turno para Ian, sai do hospital exausto, Taylor já me aguardava na entrada do hospital e eu apenas entrei no carro, sem dizer nada, agradecendo com um aceno de cabeça. A viagem foi silenciosa, o cansaço e as emoções do último dia pesavam sobre meu corpo e eu só queria cama.

Ao chegar na cobertura, Miranda já me esperava, como sempre, com tudo preparado para me recepcionar

- Bem vindo de volta, menino – ela sorriu suavemente, usando o apelido que só ela tinha propriedade para usar – tive a sensação de que precisaria de algo para descansar hoje – falou fingida, como se não soubesse que eu passei a noite no hospital

- Ah, Miranda, você sempre sabe, não é?! Mas pra hoje eu preciso somente de um banho quente e uma cama.

Caminhei em direção ao meu quarto, indo para o banheiro, tomei um banho quente, sentindo meus músculos relaxarem, fiz minha higiene e voltei para o quarto, deixando-o escuro o suficiente para que eu conseguisse descansar, a sensação de tranquilidade me envolveu e em poucos minutos, já estava entregue ao sono. 

THE ESCORTOnde histórias criam vida. Descubra agora