Capítulo 102

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Nate

Eu observava cada movimento dela. Cada passo, cada gesto, cada suspiro. Anahi podia ter fugido, podia ter se escondido por anos, mas sempre foi minha. Sempre seria.

Ver seu rosto desesperado estampando a internet me trouxe uma satisfação que eu não sabia que poderia sentir. Era como se o mundo inteiro, finalmente, visse a verdade: ela nunca passaria de uma mulher manchada, uma mentira ambulante. E, mesmo assim, só eu tinha o direito sobre ela.

Revirei os papéis sobre a mesa. Mapas de Los Angeles, planta do aeroporto, horários dos voos vindos de Nova York. Tudo meticulosamente traçado. O monitor à minha frente piscava com as atualizações em tempo real: câmeras de segurança, dados de redes sociais, geolocalização do celular dela — graças a um hacker que eu, com muito cuidado, consegui instalar no celular dela pelo IP.

Ela achou que poderia se esconder. Achou que poderia fugir. Que poderia recomeçar. Com aquele maldito Alfonso.

Apertei o maxilar até ouvir o estalo dos dentes. Meu punho voou contra a mesa, espalhando os objetos.

— VOCÊ É MINHA, ANAHI! — gritei, encarando meu próprio reflexo no vidro escuro da janela. — MINHA!

Andei de um lado para o outro. Cada passo reverberava no piso como se fosse um aviso do que estava por vir. Peguei o telefone, disquei.

— Tudo pronto? — perguntei seco.

— Sim, senhor. Veículo modificado, vidros blindados, ar-condicionado preparado. O composto vai agir em minutos, como testamos. — A voz do cara era quase mecânica, profissional.

Sorri. Frio. Calculista.

— Ótimo. Deixe no ponto combinado. Eu mesmo vou dirigir.

Desliguei e respirei fundo. A excitação corria nas veias. A expectativa. O controle.

Ela não fazia ideia do que a esperava.

Revisei mentalmente cada detalhe:

1.    O voo dela chegaria às 11h no terminal 3.

2.    Posicionaria o carro na saída secundária, onde menos haveria movimentação e segurança, mas também existia um ponto de táxi em que eu poderia me infiltrar.

3.    Aquele modelo de carro tinha sido escolhido a dedo: discreto, comum, nada que chamasse atenção.

4.    O sistema de ventilação liberaria, aos poucos, uma mistura de escopolamina com outros sedativos. Forte o suficiente para derrubar ela, fraca o bastante para mantê-la viva e consciente o tempo suficiente para ouvir minha voz, para saber que era eu.

Caminhei até a parede lateral, puxei a porta falsa do armário e encarei as fotos impressas, coladas em fileiras meticulosas. Anahi em Nova York. Anahi na HE. Anahi saindo do apartamento onde estava com Dulce.

Não era obsessão. Era amor. Um amor doente, talvez. Mas amor é amor. E ela ia entender. Mais cedo ou mais tarde, entenderia.

— Eu te avisei... — sussurrei, passando os dedos pela foto dela sorrindo. — Te avisei que você nunca seria de mais ninguém.

Quando a vi sair do terminal, o coração disparou. Linda. Mesmo em meio ao caos, linda. E sozinha. Perfeita.

Acenei, disfarçado. Ela olhou para mim, mas não me viu. Me viu como motorista. Como salvação.

Ela entrou. Frágil. Vulnerável.

Apertei um botão escondido no painel. O ar começou a circular. O composto começou a fazer efeito.

— Para o centro, por favor — disse, como se ainda tivesse algum controle.

Tola.

Assisti pelo retrovisor. O rubor subindo no rosto. As pálpebras pesando. O celular quase caindo das mãos.

Quando ela olhou para mim, foi como se o mundo congelasse.

— Descanse, querida esposa — murmurei, sorrindo. — Você está segura agora.

Ninguém mais vai te tocar. Ninguém mais vai te roubar de mim.

Nem Alfonso. Nem o mundo. Nem Deus, se ele existir.

Anahi era minha. E sempre seria.

THE ESCORTOnde histórias criam vida. Descubra agora