Alfonso
Anahi me encarou de volta, agora com um sorriso pequeno e nervoso, mas não respondeu a minha provocação. No fundo, algo que eu disse a tocou de um jeito que ela não parecia estar pronta para admitir – nem para mim, nem para ela mesma.
Ela balançou a cabeça, ainda processando o que eu tinha acabado de revelar e desviou o olhar por um momento, mordendo lábio como se estivesse tentando reorganizar os pensamentos, mas logo se forçou a falar para quebrar o silêncio.
- Sua vez. Verdade ou desafio? Perguntou, a voz ligeiramente tremula, mas seu tom mantinha a leveza. Notei que ela ainda estava atônita, mas decidiu seguir o jogo, me fazendo observa-la com fascínio e atenção.
- Vamos mudar um pouco...desafio. – um sorriso surgiu nos lábios dela, no entanto, ela tentou compensar isso com uma provocação.
- Ok, então eu desafio você a admitir que eu estou completamente sóbria agora. – eu sorri, cruzando os braços observando-a
- Mesmo? Então prove – pedi e ela imediatamente se levantou, decidida.
- Fácil. Vou fazer o "quatro" com a perna.
- Isso eu preciso ver.
- Prepare-se para aula, Alfonso – ela disse com confiança, embora seu tom fosse descontraído.
Anahi se posicionou de pé e tentou equilibrar-se, levantando uma das pernas para formar o famoso "quatro". No entanto, o efeito dos drinks começou a pesar, e ela cambaleou ligeiramente. Antes que pudesse cair, reagi rápido, segurando-a pela cintura com firmeza, impedindo qualquer possibilidade de um osso fraturado. Ela ergueu aqueles enormes olhos azuis, surpresa pela proximidade repentina, me encarou por um segundo e em seguida acariciou meu rosto suavemente. Eu não a soltei, mantive as mãos firmes em sua cintura com um toque protetor
- Bem sóbria né? – provoquei com um sorriso brincalhão, retribuindo o carinho que ela me fazia no rosto, mas na lateral de sua cintura. Anahi também sorriu, mas não respondeu, apenas aproximou seus lábios dos meus e sem hesitar, avançou, me beijando intensamente. O beijo carregava o desejo que nós dois reprimimos por muito tempo, eu correspondi na mesma intensidade, com o mesmo desejo, minhas mãos subiram de sua cintura para suas costas, puxando-a mais para perto. Ela, por sua vez, apoiou as mãos no meu peito antes de enlaçar os dedos em minha nuca, aprofundando o beijo. Quando finalmente nos separamos, estávamos ofegantes, mas sem sobra do desejo de nos afastarmos. Anahi me encarou, sorrindo, acariciando meus cabelos
- Acho que falhei no desafio – sorri baixo, ainda segurando-a firmemente.
- E acho que eu ganhei mais do que esperava.
Caminhamos juntos para a cama e Anahi deixou escapar um suspiro leve enquanto se deitava. A noite tinha sido cheia de surpresas, e o calor do quarto contrastava com o frio lá fora, mas, ainda assim, ela puxou o cobertor para si, murmurando
- Estou com frio. - Eu ainda estava de pé ao lado da cama e não sorrir com ternura ao ve-la se aconchegar foi impossível. Tirei os sapatos e me aproximei, sentando-me ao lado dela e sem dizer nada, puxei-a suavemente para mais perto, deitando ao lado dela e envolvendo-a em meus braços. A cabeça de Anahi repousou sobre o meu peito, e meus dedos começaram a deslizar pelo cabelo dela com um carinho lento e gentil.
Anahi suspirou novamente, dessa vez mais profundamente, ela acariciou minhas mãos e ficou em silencio, sentia meu coração acelerado e Anahi também percebeu
- Está tudo bem? – ela perguntou com um sorriso brincalhão e eu sorri de volta, assentindo
- Sim, por que não estaria? – ela riu baixinho, voltando a deitar a cabeça no meu peito
- Não sei...seu coração está disparado – soltei um sorriso breve, apertando-a um pouco mais contra mim
- Deve ser o efeito de ter você aqui comigo. – o comentário não foi respondido
- Acho que estou ficando com sono... – murmurou, a voz já embargada pelo relaxamento.
- Pode descansar, se quiser. Eu estou aqui. – ela apenas murmurou algo incompreensível em resposta, já entregue ao sono. Me acomodei ao seu lado, garantindo que ela estivesse confortável em meus braços e não demorou muito para que eu também fechasse os olhos.
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THE ESCORT
FanfictionOntem quando saí da cama osol caiu no chão e rolou pela grama as flores decapitaram a si mesmas a única coisa viva que sobrou foi eu e eu já não sei se isso é vida.
