Anahi
Quando finalmente nos afastamos, olhei para Alfonso e tomei uma decisão repentina.
- Sabe de uma coisa? Vamos almoçar aqui. Vou preparar algo para nós. – Alfonso arqueou uma sobrancelha
- Tem certeza? Não quero causar nenhum desconforto para você... nem nenhum problema. Ainda mais porque você e Nathaniel não se divorciaram oficialmente e não sei... – não permiti que ele terminasse, ergui o queixo e cruzei os braços
- A casa é minha. Você não tem que se preocupar com isso.- por um momento ele apenas me observou, mas logo após sorriu
- Certo. O que você vai fazer? – sorri de volta
- Descubra quando estiver pronto – brinquei.
Peguei uma garrafa de vinho da adega embutida na cozinha e servi duas taças, entregando uma a Alfonso, que aceitou com um sorriso leve. Ele estava sentado em uma das baquetas do balcão, observando com atenção enquanto eu cozinhava. Eu não era exatamente uma chef experiente, mas gostava de cozinhar, especialmente quando fazia algo para alguém que eu realmente queria por perto.
O ambiente estava confortável, tranquilo, quase intimo demais. Enquanto eu mexia o risoto com delicadeza, Alfonso tomava um gole do vinho e olhava para mim com aquela expressão contemplativa que me deixa inquieta. Para disfarçar o que eu sentia, puxei um assunto aleatório que, de repente, se transformou sobre trabalho, coisa que nós dois erámos apaixonados.
- Estava vendo algumas notícias sobre fusões de empresas essa semana – comentei, sem tirar os olhos da panela – e me perguntei como você administra tantas coisas ao mesmo tempo sem enlouquecer. – Alfonso sorriu, o som da sua risada era uma delícia de ouvir.
- Quem disse que eu não enlouqueço? – sorri e ergui os olhos rapidamente para ele antes de voltar a mexer a panela
- Sério, Alfonso. Você parece estar sempre no controle de tudo. Não parece enlouquecer em nenhum momento, muito pelo contrário. Aliás, isso deve ser exaustivo.
- Às vezes é. Mas eu gosto. Gosto do desafio, de encontrar soluções, de transformar negócios que pareciam sem futuro em algo rentável. É como um quebra-cabeça.... tudo precisa se encaixar da forma certa. – ouvi o que ele dizia atentamente, fascinada pela paixão na voz dele. Eu sempre soube que Alfonso era brilhante, mas vê-lo falar sobre o que fazia com tanto entusiasmo me fez admira-lo ainda mais. Ele era inteligente, estratégico e determinado. Aquele era o Alfonso CEO, o empresário que transformava empresas inteiras com a força de sua visão.
- Você realmente nasceu para isso – comentei e ele arqueou uma sobrancelha, divertido.
- E você? Não sente o mesmo pelo que faz? – falou girando o vinho em sua taça
- De certa forma, sim. Eu gosto de analisar empresas, calcular riscos, entender a estrutura de um negócio, mas diferente de você, eu só aconselho. Você toma decisões que mudam tudo.
- Mas seu trabalho é essencial. Sem uma boa análise de risco, uma decisão errada pode custar milhões. – sorri com a valorização
- Obrigada.
O silêncio se instalou por um instante, mas era um silêncio confortável. Alfonso continuava me observando, e eu percebi que nunca quis tanto que um prato saísse perfeito. Queria impressiona-lo, queria prolongar aquele momento, sentir o gosto de ter Alfonso ali, compartilhando minha casa, minha intimidade.
E pensar que, há alguns meses, isso teria sido inimaginável.
Enquanto regava o risoto com um pouco mais de caldo, a pergunta escapou antes que eu pudesse segurá-la.
- Quando você volta para New York? – tentei soar casual, mas a melancolia em minha voz era evidente. Alfonso suspirou antes de responder, como se soubesse exatamente o que aquilo significava para mim.
- No final da tarde de amanhã. – fechei os olhos por um breve segundo e suspirei pesado. Eu não queria que ele fosse.
Eu sabia que ele me observava atentamente, e não demorei a notar o movimento dele ao se levantar. Em poucos segundos, senti o corpo quente dele se aproximar e, antes que eu pudesse reagir, ele me envolveu em um abraço firme por trás. O gesto foi tão natural, tão certo, que me permiti relaxar contra ele, sentido a respiração dele contra a minha nuca enquanto eu ainda mexia o risoto.
- Eu volto sempre que você quiser – a voz dele soou baixa e envolvente, como uma promessa – mas não posso ficar mais dessa vez. Tenho compromissos importantes para essa semana. – mordi o lábio, absorvendo aquelas palavras. Não podia pedir para que ele ficasse, não queria coloca-lo contra as suas responsabilidades, mas era difícil aceitar que aquele momento tinha um prazo de validade, os nossos momentos sempre pareciam ter e isso era um saco.
- Tudo bem, eu entendo – minha voz saiu sincera, mas carregada de um peso que eu mesma não consegui esconder – só queria mais tempo com você. – senti Alfonso sorrir contra minha pele, e antes que eu pudesse pensar em algo mais, ele se inclinou, deixando um beijo na curva do meu pescoço.
- Estou aqui agora. Para você. – o arrepio percorreu meu corpo antes que eu pudesse me conter, mas o que veio logo depois foi inesperado. Uma leve cócega se espalhou pelo local do beijo, e eu encolhi os ombros, soltando uma risada involuntária.
- Isso faz cócegas! – protestei, tentando me afastar um pouco, mas Alfonso apenas riu e me segurou no lugar, deslizando os braços ao redor da minha cintura
- Faz? – o tom provocativo dele me fez revirar os olhos, mas eu ainda sorria aquele maldito sorriso genuíno de quando eu estava com ele
- Sim, então não faça de novo.
- Hm...não prometo nada. – soltei uma risada baixa, relaxando contra ele. Por mais que soubesse que ele teria que ir embora, por mais que aquela despedida iminente pairasse entre nós, o que importa era o agora. E, naquele momento, Alfonso estava ali. Comigo.
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THE ESCORT
FanfictionOntem quando saí da cama osol caiu no chão e rolou pela grama as flores decapitaram a si mesmas a única coisa viva que sobrou foi eu e eu já não sei se isso é vida.
