Capítulo 88

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Nate

Eu a vi pela primeira vez na clínica onde sua avó estava internada. Ela passava pelos corredores apressada, com aquele olhar carregado de preocupação e cansaço, mas ainda assim, linda. Linda de um jeito irritante, daquele tipo que chama atenção sem precisar fazer esforço. Não demorou para que eu descobrisse quem era Anahi.

Não fui ingênuo. Não me deixei enganar pela imagem da neta devotada que passava as noites ao lado da velha moribunda. Eu sabia exatamente quem ela era. Garota de programa. Sabia onde atendia, sabia os lugares que frequentava. Eu poderia ter pago por uma noite, como qualquer outro homem desesperado, mas eu nunca fui qualquer um. Eu queria mais.

Queria ela ao meu lado. Para sempre.

Não fui direto. Não cometi o erro de parecer ansioso. Cheguei aos poucos, me aproximando com gentileza, com a falsa casualidade de alguém que apenas queria ajudar. Um café no corredor, um olhar prolongado, uma conversa banal sobre a dor de ver alguém que se ama definhando. Eu sabia exatamente o que dizer, sabia como me vender. Sabia que ela morderia a isca.

E mordeu.

Quando a velha finalmente morreu, ela desapareceu. Sem deixar rastro. Sem se despedir. Como se eu não significasse nada.

Mas eu não era um homem fácil de esquecer.

Passei meses rastreando cada passo que ela poderia ter dado. Esperei pacientemente, sabendo que mais cedo ou mais tarde ela apareceria. E apareceu. Los Angeles.

Foi até engraçado vê-la surpresa ao me encontrar. Como se fosse uma coincidência. Como se eu não estivesse esperando por esse momento desde que ela ousou sumir.

E dali em diante, eu não dei mais espaço para fugas.

Fiz com que ela acreditasse que escolheu estar comigo. Que o relacionamento era dela, que o controle era dela. Mas nunca foi. Sempre fui eu.

Era eu que decidia as roupas que ela usava, as saídas que fazia, os amigos que mantinha. Mas fazia tudo sutilmente, com calma, nas entrelinhas. Ela nunca percebeu que cada passo que dava já tinha sido calculado por mim.

E funcionou. Por anos.

Até aquele maldito casamento em Nova York.

Até Alfonso Herrera.

Bastou ele aparecer para que tudo desmoronasse. Para que Anahi começasse a me desafiar, a questionar as regras, a sair do meu controle. Mas eu mostrei que não era tão simples assim. Eu sempre mostrava.

Ela queria me deixar. Acreditou que poderia simplesmente acabar com tudo e seguir em frente. Mas eu provei que não. Provei do jeito difícil.

Eu teria tido ela para mim na nossa casa, na casa em que vivíamos juntos. Eu teria ensinado a lição que ela precisava aprender. Se Dulce não tivesse chegado, ela teria entendido, de uma vez por todas, que não existia "ir embora".

Mas então, eu a vi com ele, menos de uma semana e meia depois do ocorrido, como se nada tivesse acontecido, bem ali na minha frente, no lobby do hotel, rindo, trocando olhares. Como a boa vadia que sempre foi, provavelmente passou a noite gemendo para ele, satisfazendo as vontades dele, quando deveria estar satisfazendo as minhas.

Aquele corpo era meu. Aquela mulher era minha.

E se não fosse para ser minha, não seria de mais ninguém.

O que eu fiz na casa onde vivíamos? Foi pouco. Pouco perto do que eu realmente queria fazer.

Mas eu sou paciente. Eu sei jogar.

Mudei a estratégia. Fiz parecer fácil. Facilitei o divórcio. Deixei que ela acreditasse que venceu.

E então fui informado de que ela só assinaria um mês depois. Uma viagem de trabalho, disseram. Sei bem o trabalho.

Deixei. Esperei.

Porque quando ela voltasse, não teria mais nada.

Eu teria destruído tudo.

Ela entenderia que nunca teve escolha. Nunca.

Ela voltaria para mim.

Porque no fim das contas, ela sempre foi minha e ao meu lado era onde ela deveria estar e ela entenderia isso.

.

Últimos capítulos.

THE ESCORTOnde histórias criam vida. Descubra agora