Capítulo 83

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Anahi

Finalizei o risoto com cuidado, servindo as porções nos pratos e os levando até a mesa de jantar. Eu gostava daquela mesa, do espaço que criei para que eu pudesse fazer as refeições, e agora eu gostava ainda mais porque Alfonso estava ali, compartilhando aquele momento comigo.

Ele se acomodou à minha frente, aceitando o prato que eu lhe entregava, e sorriu antes de pegar o primeiro garfo. Confesso que prendi a respiração, esperando a reação dele, e, quando ele fechou os olhos por um breve momento, aprovando o sabor, senti um alívio enorme.

- Isso está realmente delicioso – ele disse, apontando para o prato com o garfo – você cozinhou mesmo ou pediu e está tentando me enganar? – falou sorrindo, me fazendo sorri também e relaxar na cadeira.

- Eu cozinho bem, ok? Só não faço isso sempre.

- Deveria – ele arqueou uma sobrancelha, pegando mais uma garfada – esse risoto está incrível. – eu agradeci mentalmente por ser saído bom. Não que Alfonso fosse dizer o contrário, esse Alfonso não faria isso, mas ainda assim, o elogio aqueceu o meu peito.

Conforme almoçávamos, a conversa fluiu naturalmente. Alfonso pegou o celular e mostrou algumas fotos de Lía que Maite enviará alguns minutos atrás no grupo da família que eles tinham.

- Ela parece uma boneca – comentei, deslizando o dedo pela tela para ver mais imagens.

- E cada vez mais esperta – Alfonso sorriu e eu sorri também, sentindo algo doce dentro de mim ao ve-lo falando sobre a sobrinha.

- E Ruth? Como está? – perguntei bebendo um gole do meu vinho

- Bem, muito bem. Está morando com o namorado agora, e os dois parecem felizes juntos.

- E você está bem com isso? – perguntei curiosa

- No começo, achei estranho – Alfonso deu de ombros – mas ele a trata bem, e é isso que importa. – sorri satisfeita com a resposta. Eu sempre soube que Alfonso se preocupava muito com sua mãe e irmã, e era bom vê-lo aceitar as mudanças na vida de Ruth com maturidade.

Entre garfadas e goles de vinho, a conversa seguiu fluida, descontraída. Terminamos de comer e Alfonso me ajudou a tirar a mesa e organizar a louça, e foi nesse momento que percebi que ele havia ficado sério

- No que está pensando? – perguntei, observando-o com curiosidade – está tudo bem? – vi Alfonso hesitar por um momento antes de responder e fiquei preocupada

- Não quero te assustar, mas me imaginei assim com você desde sempre – ele confessou, olhando em meus olhos – almoçando juntos, conversando sobre o dia a dia, tirando a mesa, dividindo momento assim... em uma casa bonita, ou um apartamento, que seja – sorri com o comentário e acariciei o rosto dele, selando nossos lábios

- Eu adoro estar assim com você, Alfonso. Conheço a sensação. – respondi simples, mas tinha muito significado.

- Desculpa se me precipitei. Eu só precisava dizer.

- Não se desculpe – sorri leve – tudo só é muito recente, mas quando digo que conheço a sensação é porque realmente conheço. – ele assentiu novamente, segurando minha mão contra o seu rosto por um breve instante antes de beijar suavemente cada uma delas.

Continuamos a organizar a cozinha, cada um de nós em sua tarefa. Alfonso secava os pratos enquanto eu os guardava, era tão natural, tinha uma sintonia silenciosa, não precisávamos de palavras para nos entender, e eu gostava dessa simplicidade entre nós dois.

Quando tudo estava limpo e arrumado, peguei a garra de vinho e mais duas taças

- Acho que merecemos relaxar um pouco

- Concordo plenamente – ele sorriu de volta, pegando as taças da minha mão enquanto seguíamos para sala.

Escolhi uma série para assistirmos, algo leve, sem muitas reviravoltas dramáticas. Alfonso se acomodou no sofá primeiro, e eu fui ao seu encontro, encaixando-me ao seu lado de forma instintiva. Ele deslizou um braço ao redor dos meus ombros, me puxando para mais perto.

O vinho, o conforto do sofá e a sensação de tê-lo ali comigo tornavam o momento ainda mais perfeito. Alfonso levou a mão aos meus cabelos, acariciando-os suavemente, me fazendo suspirar e relaxar contra ele

- Eu poderia me acostumar com isso – ele murmurou, os olhos fixos na tela, mas a atenção completamente voltada para mim. Sorri contra seu peito, segurando a taça de vinho com uma das mãos enquanto desenhava pequenos círculos na coxa dele com a outra.

- Eu também.

THE ESCORTOnde histórias criam vida. Descubra agora