Alfonso
O som da explosão reverberou como um trovão dentro do meu peito. Vi a porta de metal do galpão se despedaçar em milhares de pedaços, jogando fumaça, poeira e destroços para todos os lados. Policiais táticos invadiram o local aos gritos, armas em punho, luzes vermelhas e azuis refletindo nas paredes sujas daquele maldito cativeiro.
Mas nada, absolutamente nada, me preparou para a cena que meus olhos captaram segundos depois.
Nate estava ali. De pé. Com aquela expressão psicótica, olhos arregalados, segurando uma arma ainda quente. E, logo além dele, meu mundo inteiro: Anahi. Deitada numa maca improvisada, pálida, abatida, visivelmente grogue, mas viva. Meus pulmões se expandiram num alívio brutal, uma mistura de desespero e raiva que me fez perder qualquer controle.
Nem pensei. Avancei contra Nate.
— SEU DESGRAÇADO! — gritei, sentindo meu punho acertar o rosto dele com força suficiente pra fazer sua cabeça girar pro lado.
Ele cambaleou, tentou reagir, apontou a arma, mas dois tiros vieram dos policiais. Um acertou o ombro, outro a perna. Ele caiu, mas eu não parei. Me joguei em cima dele, socando, socando, socando sem parar. Sangue. Ossos estalando. Nate urrando de dor.
— VOCÊ ENCOSTOU NELA! — Minha voz era um rugido selvagem. — VOCÊ VAI PAGAR POR CADA SEGUNDO, SEU MALDITO!
— Alfonso, já era! — Ouvi alguém gritar, talvez um policial, talvez Dulce que estava logo atrás. — Já era, ele tá rendido!
Mas meu cérebro não ouvia. Meu corpo não parava. Só quando senti dois braços me puxando pra trás, me separando dele, é que percebi que Nate estava desacordado, sendo algemado enquanto era arrastado pela polícia.
Respirei, arfando, olhando em volta como um animal acuado, até que meus olhos encontraram novamente Anahi sendo retirada dali na maca, cercada por paramédicos. Apesar de abatida, pálida e visivelmente dopada, ela estava acordada. Olhou pra mim, os olhos marejados, e aquilo foi o suficiente pra minha raiva ser substituída por puro desespero e alívio.
Corri até ela. Sem pedir permissão, empurrei qualquer um que tentasse me impedir e me joguei ao lado da maca.
— Amor... amor, eu tô aqui. — Minha voz falhou. — Você tá bem, tá me ouvindo? Eu tô aqui, tá?
Ela tentou sorrir, os olhos se fechando brevemente, e apertou minha mão com a pouca força que tinha.
— Alfonso... — sussurrou, rouca. — Achei que... que não ia mais te ver...
— Você nunca mais vai passar por isso. Nunca mais. — Beijei sua testa, seu rosto, seus dedos. — Eu te amo, Anahi. Eu te amo.
Segui a ambulância com Dulce, meu carro atrás, o peito apertado, orando por cada quilômetro que aquele veículo percorria até o hospital. Cada segundo parecia uma eternidade.
No hospital, enquanto os médicos a examinavam, eu não saí da porta. Passei a noite inteira ali. A madrugada toda, sentado na poltrona desconfortável do quarto, segurando sua mão, passando os dedos pelo cabelo dela, beijando sua testa, monitorando qualquer movimento.
Troquei mensagens com Ian o tempo todo, atualizando-o sobre tudo. "Está bem. Está segura. Está comigo", eu mandei. E cada resposta dele vinha cheia de alívio e promessas de que Nate iria apodrecer na cadeia.
Quando o sol começou a nascer, Anahi abriu os olhos. O olhar estava mais focado, embora ainda cansado.
— Você não dormiu... — ela sussurrou.
— E nem vou. — Apertei sua mão. — Não até saber que você tá bem de verdade.
Ela respirou fundo. — Alfonso... minha empresa... eu perdi tudo...
Balancei a cabeça. — Não. Você não perdeu. Ian limpou tudo da internet. A HE emitiu uma nota oficial dizendo que tudo não passou de uma invasão criminosa, que dados pessoais foram vazados de forma maliciosa. E mais... nós derrubamos tudo, qualquer site, qualquer fórum, qualquer menção. Tudo sumiu. Está resolvido.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos, olhando o teto, e então deixou uma lágrima escorrer.
— Mas sua família... eles sabem... agora todo mundo sabe.
Segurei seu queixo, obrigando-a a me olhar.
— E quer saber? Que se dane. — Meu tom era firme. — Eu não ligo. Não mais. Eu te amo, Anahi. Eu te amo mais do que qualquer coisa nesse mundo. E quem não aceitar isso... que fique pra trás.
Ela fechou os olhos, soluçando, e eu a abracei com toda força que tinha.
Esperei ela se acalmar, beijei sua testa, e segurei suas mãos entre as minhas.
— Eu quero que você venha pra Nova York comigo. — Minha voz estava rouca, carregada de emoção. — Mas não só porque sua vida não é mais em LA. Eu quero que você venha porque, dessa vez, eu quero fazer tudo certo. Chega de contratos. Chega de mentiras. Chega de fingir.
Puxei do bolso uma caixinha. Abri.
— Casa comigo, Anahi. Me deixa te fazer feliz de verdade, do jeito certo, do nosso jeito. Porque eu te amo. E nada, absolutamente nada, importa mais do que isso.
Os olhos dela se encheram de lágrimas, e quando ela sorriu, percebi que, pela primeira vez em muito tempo, aquilo não era apenas alívio.
Era amor. Era esperança.
Era,finalmente, o começo de tudo o que sempre merecemos.
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THE ESCORT
Fiksi PenggemarOntem quando saí da cama osol caiu no chão e rolou pela grama as flores decapitaram a si mesmas a única coisa viva que sobrou foi eu e eu já não sei se isso é vida.
