Capítulo 111

193 17 3
                                        

Anahi

O aeroporto parecia mais silencioso do que realmente estava. Talvez fosse o peso da antecipação, talvez fosse o medo. Eu apertava a mão de Dulce como quem se segura na última âncora antes de ser tragada pelo caos.

— Eu vou pegar um Uber e vou direto pro apartamento — ela cochichou no meu ouvido. — Definitivamente dessa vez, amiga. Qualquer coisa, estou no celular, ok?

Nos abraçamos forte, como se aquele gesto pudesse proteger uma à outra de tudo que estava por vir. Assenti e a observei se afastar, respirando fundo antes de encarar Alfonso. Seus olhos estavam firmes, mas o maxilar rígido traía a tensão.

Quando Maite insistiu:

— Eu gostaria de conversar com vocês.

— Estamos exaustos — ele anunciou, com aquele tom diplomático que só ele tinha. — Vamos para casa descansar.

Mas Maite, determinada, cruzou os braços, olhando diretamente para nós.

— Eu gostaria de ir com vocês. Precisamos realmente conversar.

Houve um breve silêncio. Alfonso respirou fundo, olhou para mim, e eu apenas assenti. Eu sabia que essa conversa era inevitável. E, na verdade, talvez precisasse acontecer.

Seguimos em dois carros. Taylor dirigia o que estavamos, enquanto Maite, Ruth e Lia nos seguiam no carro atrás. O caminho até a cobertura pareceu mais longo do que realmente era. Cada segundo parecia esticar minha ansiedade, tensionando meu corpo até o limite.

Ao chegarmos, fomos recebidos por Miranda, uma das funcionárias de Alfonso, que me abraçou forte.

— É tão bom te ver de volta, Anahi. — disse ela, com um sorriso sincero que aqueceu meu peito. Por um instante, me senti acolhida, talvez até pertencente àquele lugar que um dia tinha sido mais lar do que qualquer outro.

Sentamos todos na ampla sala, o sofá enorme parecia pequeno diante da tensão que se instalava. Miranda, com a sensibilidade que sempre teve, pegou Lia nos braços e saiu discretamente, deixando-nos a sós e sem testemunhas inocentes.

O silêncio era quase palpável. Até que Alfonso tomou a dianteira:

— Então... — sua voz estava firme, mas carregava uma nota de cansaço. — O que exatamente vocês vieram fazer aqui?

Maite não titubeou.

— Acha mesmo que precisa perguntar? — cruzou os braços. — Eu quero ouvir. Tudo. Desde o começo. Da boca de vocês.

O olhar de Alfonso ficou mais duro.

— Ruth provavelmente já te contou tudo. — respondeu ele.

— Sim, ela contou. — Maite confirmou. — Mas eu quero ouvir de vocês. Sem meias palavras. Sem máscaras.

Eu respirei fundo. Meus dedos apertaram instintivamente os de Alfonso. Eu não podia mais fugir. E, pela primeira vez, percebi que não queria.

— Então você vai ouvir — comecei, minha voz soando mais firme do que eu imaginava. — Tudo o que apareceu na internet, mesmo tendo sido removido, era a mais pura verdade.

O choque percorreu o rosto de Ruth. Alfonso permaneceu em silêncio, deixando que eu tomasse as rédeas. Me ajeitei no sofá, olhei diretamente para Maite e comecei:

— Quando Alfonso me conheceu, eu era uma acompanhante de luxo. E sim, isso significa exatamente o que você está pensando. Eu quase nunca fazia programas, mas... às vezes, eu precisava.

Vi Ruth arregalar os olhos, apertar os lábios. Maite manteve a expressão dura, mas ouvi o ar escapar pesado por suas narinas.

— Ian já me conhecia — continuei. — Mas deixo muito claro aqui: nunca, em momento algum, houve nada além de amizade entre nós. Fiz questão de esclarecer isso, Maite, para que você não tire conclusões erradas.

THE ESCORTOnde histórias criam vida. Descubra agora