Alfonso
Minha semana havia começado cheia de responsabilidades como sempre, mas também com emoções positivas, já que Lía, finalmente havia recebido alta para o alivio e alegria de todos, especialmente de Maite, que agora podia cuidar da pequena em casa, sem o estresse do hospital. Aproveitei cada momento com elas, babando Lía e tentando ser o irmão e tio presente que eu sabia que minha família precisava.
Apesar da felicidade em razão da alta de Lía, tinha uma coisa que também me deixava feliz, as conversas constantes com Anahi. Desde que voltamos a nos falar, parecia impossível passar um dia sem trocar mensagens ou ligações. Eu não entendia como aquilo era possível, considerando o casamento dela, mas não questionava. Eu estava feliz. As conversas, por mais simples que fosse, me faziam sentir uma conexão que eu não tinha experimentado com ninguém mais. Às vezes, depois de um longo dia no escritório, ouvir a voz dela era tudo que eu precisava pra encerrar bem a noite.
Ocorre que com o passar dos dias, comecei a perceber que algo me incomodava. Eu não a via há duas semanas, e a distância física estava começando a pesar. Mesmo sem admitir para mim mesmo, a vontade de estar perto dela era quase incontrolável. Foi então que tive a ideia de fazer uma surpresa. Viajar para Los Angeles poderia ser uma jogada arriscada, não sabia se poderia encontra-la, tão pouco se ela gostaria, mas não me importava, precisava tentar.
Na madrugada de sexta para sábado, embarquei em meu jatinho particular rumo a Los Angeles. A viagem foi tranquila, mas a ansiedade não me permitiu descansar. Cheguei à cidade ao amanhecer, com o tempo frio e úmido. Depois de me instalar no hotel em que me hospedaria, me preparei e fui ao píer de Santa Mônica e enviei uma mensagem para Anahi, narrando casualmente o clima da cidade. Era uma tentativa sutil de despertar sua curiosidade, e funcionou. Quando finalmente liguei por Facetime, posicionando-me de forma que o píer aparecesse ao fundo, vi a surpresa e a curiosidade estampada em seu rosto.
Combinamos de nos encontrarmos para um café da manhã, e eu, agora sentado no píer, esperava por ela. Apesar de ser uma pessoa confiante, sentia-me inquieto, algo que raramente acontecia. Mexi no relógio de pulso, ajustei o casaco, olhei para o mar, tentando manter a mente ocupada, mas quando finalmente vi ela se aproximando, uma onda de alívio me atingiu, assim como algo mais profundo, mais intenso, que eu preferia não nomear.
Anahi estava ainda mais linda. O casaco elegante, os cabelos soltos dançando ao vento, e o sorriso contido ao me ver. Ela tinha aquele brilho único, como se fosse imune à simplicidade ao seu redor. Me levantei e caminhei até ela, sem hesitar. Quando alcancei, envolvi em um abraço apertado, mais íntimo do que pretendia inicialmente. Senti o calor dela contra mim, o perfume familiar e reconfortante, e algo em mim simplesmente se acomodou, como se ali fosse o único lugar onde eu precisasse estar.
- É bom te ver, Anahi – disse, a voz grave, mas carregada de sinceridade. Quando ela respondeu, com a voz suave e um sorriso tímido, algo em mim se aqueceu ainda mais. Me afastei ligeiramente, mas ainda mantive uma proximidade confortável.
- Foi uma surpresa, com certeza. Não esperava isso... o que te trouxe aqui? – ela perguntou, olhos brilhando com curiosidade. Inclinei levemente a cabeça, deixando escapar um sorriso breve.
- Às vezes, o trabalho e a rotina em New York me deixam sufocado. Precisei de uma pausa. E... bom, Los Angeles parecia um bom lugar para clarear a mente. – ela arqueou uma sobrancelha, claramente tentando esconder um sorriso maior
- Los Angeles é ótimo pra isso – disse, mas logo completou, em tom de provocação – e claro, me chamou porque eu faço parte do pacote de turismo, certo? – ri baixo, o som escapando de forma genuína
- Algo assim – deixei a brincadeira no ar, mas logo adicionei, com um tom mais sério – mas, sendo honesto, saber que você está aqui foi... motivador. – notei o leve rubor subindo pelas bochechas dela quando desviou o olhar, e aquilo me deixou mais leve, mais confiante.
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THE ESCORT
FanfictionOntem quando saí da cama osol caiu no chão e rolou pela grama as flores decapitaram a si mesmas a única coisa viva que sobrou foi eu e eu já não sei se isso é vida.
