Anahi
Não haviam palavras que me consolassem depois de me abrir para Alfonso e perceber, mais uma vez, que não importa o que eu fizesse ou o que eu dissesse, pra ele não faria diferença, mas também, eu cometi o maior erro que poderia, me apaixonar por um cliente.
As últimas semanas foram no tanto estranhas, eu não podia ir embora, porque ele não deixava, mas eu também em sentia presa, apesar de estar mal, e eu estava, eu precisava ao menos sentir seu cheiro, como a merda de uma viciada.
Diferentemente de mim, Alfonso não demonstrava precisar da minha presença para nada, não nos falávamos, não nos cruzávamos e eu só sabia que ele estava em casa no momento das refeições, quando sentávamos a mesa juntos, mas em sua grande maioria era no jantar e ele sempre estava com uma bebida em suas mãos.
Pra melhorar a situação, minha avó piorou nos últimos dias devido a uma pneumonia que pegou, eu já não sabia mais se chorava pela minha idiotice em me apaixonar por um homem que nunca seria para mim, pela minha avó, pela minha vida.
Eu estava no quarto, deitada e olhando para o teto, sentindo as lagrimas escorrerem, quando Miranda entrou e sentou na ponta da cama, acariciando meus cabelos
- Vocês precisam sentar e conversar, essa situação parece insustentável tanto para a senhorita, quanto para Alfonso. Eu o conheço, ele não está em seu estado habitual! – dizia Miranda – e eu não aguento vê-la triste dessa maneira, sempre no quarto, sempre chorando e eu nem sei o que acontece, não sei como aconselha-los.
- Não há o que aconselhar, Miranda! – disse em meio a uma fungada – isso não vai durar por muito mais tempo. Esse relacionamento não existe!
- Claro que existe – suspirou – tanto existe que os dois estão sofrendo! Não chore, senhorita, tudo irá se resolver.
- Gostaria de ter essa certeza, Miranda, mas é impossível! – afirmei
- Por que é impossível? – questionou ainda afagando meus cabelos
- Porque amor não se pede, Miranda. Ou você recebe de bom grado, ou você não tem. Eu não posso obriga-lo a me dar algo que deveria vir espontaneamente, e se não vem, eu não posso esperar uma vida inteira, por isso eu digo que é impossível, por isso as coisas não vão se resolver, eu o amo, e eu preferia não amar, mas o amo, já ele, não.
Miranda apenas se ajeitou na cama, me puxando para o seu colo, fazendo com que eu me permitisse chorar mais e mais. Por que as coisas não poderiam ser mais simples? Por que minha vida tem que ser sempre esse caos?
Em meio a tantos pensamentos, acabei pegando no sono, mas acordei assustada, com meu telefone tocando, ao abrir os olhos me dei conta de que o quarto estava escuro, deixando claro que era madrugada, peguei o telefone e vi o nome de Nate na tela, me deixando preocupada
- Oi Nate, aconteceu algo? – perguntei assim que atendi a ligação
- Anahi – falou em uma voz baixa, que me trouxe um mau pressagio
- Diga, Nate – pedi com a voz corta pelo choro que tornava a cair
- Anahi, sua avó teve duas paradas enquanto dormia, não sabemos se tem algo relacionado com a pneumonia ainda, mas tudo indica que sim, e infelizmente ela não resistiu – falou triste
Eu não vi, nem ouvi mais nada, eu apenas cai em um choro desolado, minha avó, apesar de já não se lembrar mais de mim era minha única família e agora nem isso eu tinha mais.
Desesperada, apenas calcei um sapato, já que havia dormido com a roupa que cheguei da rua, peguei minha bolsa e sai correndo. Entrei no elevador e sai no térreo, eu mal conseguia enxergar, meus olhos estavam inundados de lagrimas, passei correndo pelo saguão do arranha céu de Alfonso, mas na porta fui parada por Taylor
- Senhorita, o que houve? – questionou preocupado vendo meu estado, mas eu não conseguia falar, sentia uma dor tão forte em meu peito que era como se tivessem arrancando-o de dentro de mim, quando finalmente falei, disse algo que fez Taylor entender onde eu estava indo
- Minha avó, Taylor – foi tudo que falei e foi o suficiente para que ele me colocasse dentro do carro e me levasse até a clinica que ele conhecia tão bem, já que havia me levado até lá diversas vezes
Assim que chegamos eu sai correndo do carro, Nate me esperava na porta e me recepcionou com abraço apertado e silencioso
- Ela descansou, Anahi! – falou em meio a um sussurro
- Eu sei! – respondi – ainda assim, dói muito, ela era tudo que eu tinha!
- Eu estou aqui com você!
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A noite foi pura burocracia, Nate estava ao meu lado durante todo momento, e Taylor sempre conosco, ainda que eu não estivesse no carro que ele dirigia, ainda que eu estivesse com Nate, ele estava lá.
Resolvi toda a documentação da minha avó, e quando o dia raiou, o enterro foi preparado, eu não quis um velório, ela também não gostaria, então assim que tudo estava pronto, lá estávamos nós em um cemitério, apesar de estar ali e de ter sido tudo tão rápido e resolvido de forma tão automática, eu não estava pronta para me despedir.
Não sei como, mas Ian ficou sabendo e estava comigo, ao meu lado, Miranda também, assim como Taylor, os enfermeiros da clínica, alguns médicos que acompanharam minha avó durante esse tempo e que souberam e Nate, todos que se importavam de alguma forma estavam lá.
Um padre preparou uma despedida, palavras bonitas foram ditas, flores foram jogadas em seu tumulo e a última vez que meu coração doeu tanto dessa forma foi no funeral dos meu avô, já que no dos meus pais eu era somente uma criança.
Eu não conseguia parar de chorar e sair dali e por isso, assim que a última pá de terra foi jogada sobre o caixão eu ainda estava lá, três horas após o funeral, eu ainda estava lá, em pé, olhando onde minha avó estava e desejando que não estivesse, quando a chuva começou a cair forte eu permaneci lá, mas ouvi Ian me chamar
- Anahi, precisamos ir – falou me abraçando
- Eu não consigo, Ian! – disse em meios as lagrimas
- Ei – virou meu rosto para ele me fazendo olhar em seus olhos – você é a mulher mais forte que eu conheço e você consegue, caso não consiga, eu estarei ao seu lado o tempo todo, não vou te deixar pra nada – disse beijando minha testa – venha, eu vou cuidar de você.
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Oioi, como vocês estão? Espero que bem 😊
Comentem bastante sobre o que estão achando, curtam a história para eu saber que estão gostando.
Se eu conseguir, libero mais um capítulo hoje.
Um beijo.
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THE ESCORT
FanfictionOntem quando saí da cama osol caiu no chão e rolou pela grama as flores decapitaram a si mesmas a única coisa viva que sobrou foi eu e eu já não sei se isso é vida.
