Alfonso
O tempo na casa de Anahi foi maravilhoso, a comida estava deliciosa, o momento estava incrível, eu estava confortável ali com ela naquele sofá, acariciando os cabelos dela enquanto assistíamos à uma série qualquer, mas minha não conseguia afastar a lembrança do encontro com Nate.. Algo na forma como ele havia falando com Anahi, no veneno das palavras, no tom presunçoso e cruel, e incomodava de um jeito que eu não conseguia ignorar.
Eu bem que tentei me concentrar somente nela, na forma como o seu corpo se encaixava ao meu, na forma como ela estava relaxada contra o meu peito, mas a dúvida me corroía. Não queria estragar o momento, mas precisava perguntar.
- Anahi... – minha voz saiu baixa, cautelosa. Ela levantou levemente o rosto para me encarar – como foi que o seu casamento com ele terminou? – senti o corpo dela enrijecer instantaneamente. Anahi desviou o olhar, mordendo levemente o lábio inferior, claramente desconfortável. Por um momento, eu achei que ela não responderia
- Alfonso... – ela começou, hesitante
- Você não precisa falar se não quiser – eu me apressei em dizer, apertando-a um pouco mais contra mim. Ela suspirou profundamente e fechou os olhos por um instante antes de abrir a boca para falar
- De forma quase imperceptível, Nate sempre gostou de me controlar – a voz dela era suave, mas carregada de significado – nosso casamento era feliz...ou pelo menos parecia ser. Mas ele estava sempre no controle de tudo. Eu só percebi isso de verdade quando as coisas começaram a desandar. – permaneci em silêncio, dando a ela espaço para continuar – tudo começou a mudar quando fomos para New York, para o casamento da sua irmã. Nate não queria ir. Ele dizia que eu não estava pronta para te encontrar, que seria difícil para mim, mas entende? – ela me encarou, os olhos brilhando com uma mistura de emoções – era algo que ele dizia, não algo que eu havia dito. – eu apenas assenti, o maxilar tenso – contra a vontade dele, organizei a viagem e fomos e...bem... – ela desviou o olhar – no dia em que ficamos presos no elevador, ele me questionou se eu havia te encontrado. Eu contei a verdade e ele não gostou - era claro que não, pensei, eu podia imaginar a fúria silenciosa de Nate, mas não comentei, deixando Anahi continuar – dormimos brigados, e na manhã seguinte... ele quis... bem... você sabe – Eu não precisei que ela continuasse. Meu corpo ficou rígido, o peito subindo e descendo de maneira pesada
- Anahi... – minha voz saiu tensa
- Está tudo bem – ela me acalmou rapidamente, colocando uma mão sobre o meu peito – eu não estava a fim – continuou – disse isso a ele, mas ele...ele insinuou que, quando era com outros homens, eu não me importava – senti minha raiva explodir dentro de mim. Meu punho cerrou ao lado do meu corpo. Eu não conseguia acreditar que ele havia jogado algo tão cruel na cara dela, sabendo de tudo que ela já havia passado
- Ele... – tentei formular, mas ela me acalcou, entrelaçando os dedos aos meus
- Ele usou minha própria história contra mim – ela riu sem humor – e ali, nosso casamento começou a ruir. Pedi um tempo quando voltamos, mas ele não queria. Ele dizia que um filho resolveria as coisas – sorri sem humor, sentindo um gosto amargo na boca
- Como se isso fosse a solução pra tudo – murmurei, ainda processando a história
- Exatamente – Anahi concordou – mas já sabia que não daria certo. Fui para convenção já tendo comunicado a ele que queria o divórcio. Ele pediu para que eu pensasse melhor, mas voltei de lá mais decidida do que nunca. – o silêncio pairou entre nós dois, eu sentia um aperto no peito, uma mistura de raiva por Nate e algo profundo e protetor com relação a Anahi. Eu queria tê-la protegido disso antes.
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THE ESCORT
FanfictionOntem quando saí da cama osol caiu no chão e rolou pela grama as flores decapitaram a si mesmas a única coisa viva que sobrou foi eu e eu já não sei se isso é vida.
