Nate
O silêncio do galpão era quase absoluto, quebrado apenas pelo zunido distante de algum gerador e o som do vento batendo nas paredes de metal. Um lugar esquecido. Um fim de mundo. Perfeito. Perfeito para o que eu precisava.
Observei Anahi, ainda inconsciente, largada no velho colchão jogado no canto. Frágil. Linda. Tão minha. Sempre foi. Sempre será.
A adrenalina corria nas minhas veias como fogo. Desde que ela fugiu, desde que ousou me deixar, minha mente nunca mais foi a mesma. Cada risada dela, cada olhar, cada toque... tudo era meu. E ela achou que podia simplesmente escapar. Que podia viver uma vida sem mim. Com outro homem.
Ela estremeceu. Os olhos pestanearam, e eu sorri. O sorriso largo, doente, torto.
— Bom dia, meu amor — sussurrei, me ajoelhando ao lado dela. — Sentiu minha falta?
Ela arregalou os olhos. Demorou segundos para entender onde estava. Quando percebeu, tentou se mexer, mas as cordas apertadas nos pulsos e tornozelos impediram qualquer movimento.
— N-nate... — A voz dela saiu em um sussurro rachado, carregado de pânico. — O que você está fazendo? Me solta, pelo amor de Deus!
Soltei uma risada. Alta. Descontrolada. As paredes do galpão devolveram o eco da minha própria loucura.
— Você não entendeu ainda, Anahi? — Me inclinei, passando os dedos pelo rosto dela, que se retraiu como se meu toque queimasse. — Eu te avisei. Várias vezes. Nós somos um. Pra sempre. Pra SEMPRE.
Ela puxou as mãos com força, e eu vi a pele dela se romper, sangrando sob as cordas.
— Nate, por favor... — As lágrimas começaram a descer. — Isso está machucando. Me solta. Pelo amor de Deus, me solta.
Me levantei abruptamente, chutando uma cadeira que voou para o canto. Andei de um lado para o outro, rindo e passando as mãos no cabelo. Puxei o celular do bolso e, como uma apresentação teatral, destravei a tela e virei para ela.
— Quer saber o que está acontecendo, hã? Quer saber? — Mostrei a ela a tela cheia de mensagens de Alfonso. — Olha só, olha como ele está desesperado. "Onde você está? Me responde, Anahi, pelo amor de Deus! Fala comigo!" — Gargalhei alto, batendo palmas como uma criança eufórica. — Isso é hilário! Ele acha que pode te ter. Que pode tirar você de mim!
Me ajoelhei novamente, segurando o rosto dela com força, apertando, fazendo-a olhar nos meus olhos.
— Mas você é minha. É MINHA, entendeu? E enquanto eu respirar, NINGUÉM mais vai te tocar. NINGUÉM mais vai te ver. — Minha voz virou um grunhido rouco, irracional.
Ela chorava. O corpo todo tremia. Tentava se afastar, mas não havia pra onde ir.
— Por quê? — soluçou. — Por que você está fazendo isso? Eu não sou sua. Nunca fui. Me solta, Nate. Por favor. As cordas... está doendo... Me solta...
O som da voz dela implorando, chorando, me fez apertar os dentes. Por um segundo, quase me compadeci. Quase.
Mas então veio a raiva. A lembrança dela com Alfonso. Dela sorrindo pra ele. Dela dormindo nos braços dele.
— CALA A BOCA! — berrei, levantando de súpetão e socando a parede com tanta força que meus nós dos dedos se abriram. — VOCÊ É MINHA, ANAHI! MINHA!
Ela soluçava, encolhida.
Andei até a porta, tranquei três vezes, chequei a tranca eletrônica. Nada nem ninguém entraria. Nada nem ninguém sairia.
E quando voltei, sentei numa cadeira de frente pra ela. Cruzei as pernas, inclinei o rosto e sorri, macabro.
— Se acostuma, meu amor. A partir de agora, somos só nós dois. Pra sempre.
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THE ESCORT
FanfictionOntem quando saí da cama osol caiu no chão e rolou pela grama as flores decapitaram a si mesmas a única coisa viva que sobrou foi eu e eu já não sei se isso é vida.
