Capítulo 72

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Anahi

Acordei cedo na segunda-feira, ainda na casa de Dulce, e me sentia ligeiramente melhor, embora a dor de cabeça persistisse como um lembrete do que havia acontecido no sábado. Depois de um banho, vesti-me com minhas roupas novas, já que ainda não tinha tido coragem de voltar para a minha casa. Quando terminei, Dulce já me esperava para irmos juntas à empresa.

O trajeto foi tranquilo, mas meus pensamentos não. A troca de mensagens com Alfonso no dia anterior permanecia sem resposta até aquele momento. Eu havia lido, mas não tinha energia emocional para lidar com ele ou com qualquer outra pessoa.

Na empresa, o ritmo frenético de trabalho me ajudou a desviar o foco. As sementes plantadas na convenção começaram a dar frutos, vários novos clientes estavam entrando em contato, interessados em serviços de análise de risco. Dulce vibrava a cada nova ligação ou e-mail, sua empolgação contrastava com meu estado emocional. Ainda assim, não podia negar que a movimentação me dava certa satisfação, uma sensação de controle no meio do caos.

Por volta do horário do almoço, tive uma reunião com meu advogado para dar início ao processo de divórcio. Ao entrar na sala de reunião, senti a tensão em meu corpo aumentar, mas mantive a postura firme. Expliquei a situação, incluindo a agressão sofrida, e deixei claro que queria que o processo fosse o mais rápido e discreto possível.

- Se Nate quiser levar tudo, que leve – disse com firmeza, tentando controlar a emoção – Só não admito que toque na casa dos meus avós. Fora isso, ele pode ter o que quiser, Eu me reconstruo. Quantas vezes for necessário.

O advogado fez anotações detalhadas e assegurou que tudo seria tratado com prioridade. Saí daquela reunião com um misto de alívio e medo.

De volta à minha sala, mexi no celular novo. A mensagem de Alfonso ainda estava na minha mente, e depois de hesitar por alguns minutos, decidi responder.

Mensagem de Anahi

Me desculpe pelo sumiço, problemas de última hora. Como você está?

Enviei a mensagem e deixei o celular de lado. Não tinha expectativa de resposta imediata, na verdade, sentia um leve receio de voltar a abrir aquela porta de comunicação com ele.

Às 17h, eu e Dulce tivemos uma reunião remota que durou mais do que gostaríamos. Quando finalmente acabou, Dulce insistiu para voltasse para sua casa. Embora hesitasse, sabia que ainda não esta pronta para encarar a solidão da minha casa e aceitei.

De volta ao apartamento de Dulce, fui direto para o banho. A água quente ajudou a aliviar a tensão acumulada, até mesmo a dor no couro cabeludo, ainda sensível pela agressão parecia diminuir. Quando saí do banheiro, senti meu corpo um pouco mais leve, mais isso durou até a tela do celular acender.

Era Alfonso.

Mensagem de Alfonso

Olá, Anahi. Certo. Espero que tenha resolvido. Por aqui está tudo indo...

Li a mensagem enquanto penteava o cabelo, mas não sabia o que responder. Sentei-me na beira da cama e fiquei olhando para o celular por alguns minutos, sentindo uma mistura de saudade e confusão. Parte de mim queria abrir meu coração, contar tudo, mas outra parte, a mais ferida, sabia que ainda não estava pronta para lidar com isso. Guardei o celular e fui me juntar a Dulce, que já preparava algo para o jantar, tentando me distrair com sua energia contagiante.

Enquanto jantávamos, Dulce demonstrava sua preocupação comigo a cada pausa na conversa. Ela segurava sua taça de vinho com um jeito casual, mas seus olhos denunciavam a atenção plena em cada gesto meu. Eu me mantive com minha água com gás, sentindo o frescor da bebida ajudar a aliviar a tensão que ainda pesava em meus ombros. Ela começou a contar de um novo casinho, rindo despreocupada. Não parecia algo sério, mas era típico de Dulce transformar o mais simples dos flertes em uma história divertida.

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