Anahi
Os dias seguintes foram um borrão de sensações, dores e reconstrução. Acordar no hospital, conectada a soro e monitores, parecia surreal. O teto branco, o cheiro ácido dos desinfetantes, e o bip constante me lembravam que eu estava viva. Mal conseguia acreditar que sobrevivi.
Alfonso estava ali. Sempre. Dormindo no sofá desconfortável, me dando café, segurando minha mão, lendo relatórios e e-mails enquanto esperava que eu melhorasse. Ele não saiu do meu lado um segundo sequer. E quando abria os olhos, a primeira coisa que via era ele, e aquilo me dava força.
Os médicos foram claros: fisicamente, eu ficaria bem. O trauma... esse levaria tempo. Mas eu estava de pé. E pronta pra lutar.
Na manhã da alta, Alfonso entrou no quarto com aquele sorriso que me desmontava.
— Hora de irmos pra casa, amor — ele disse, beijando minha testa.
Saímos do hospital e seguimos direto pra minha empresa. Eu precisava ver com meus próprios olhos o que tinha restado dela.
Quando pisei no escritório da Ventura Consulting, algo apertou meu peito. Esperei encontrar olhares desconfiados, cobranças, rejeição. Mas não. As pessoas vieram. Me abraçaram. Choraram comigo. Me disseram que estavam ali, comigo.
Quando sentei na minha sala, peguei o notebook, abri os relatórios e... quase não acreditei. Depois da nota oficial da HE desmentindo todo aquele lixo, minha empresa simplesmente explodiu em visibilidade positiva. Novos contratos, propostas, parcerias. Clientes que haviam cancelado estavam pedindo pra voltar. E, melhor: outros, muito maiores, estavam chegando.
— A gente virou ouro, mulher! — Dulce quase gritava, pulando comigo pela sala. — Se isso não é plot twist, eu não sei o que é!
Rimos, choramos, brindamos com café frio. E no meio da confusão, tomamos uma decisão que já vinha sendo pensada havia tempos.
— Vamos mudar pra Nova York. A sede da empresa vai pra lá. — Minha voz saiu firme. — E abrimos uma filial aqui em LA, pra quem quiser continuar.
Dulce me olhou, sorriu largo, e estendeu a mão pra selar o acordo.
— Bora, CEO!
Enquanto isso, Alfonso continuava ao meu lado. Além de amor, ele me dava força, segurança, estabilidade. Segurava minha mão em cada visita à delegacia, onde eu precisava depor, acompanhar o processo, dar continuidade nas ações legais.
Foi lá que recebemos a notícia.
Nate tinha tido alta. O maxilar quebrado, os tiros... nada mais impedia que ele fosse transferido. E agora estava em um presídio, aguardando julgamento. O advogado me garantiu:
— Com tudo o que foi apresentado, as provas, os testemunhos... ele deve pegar, no mínimo, quinze anos.
E então veio a cereja do bolo.
— Aliás, a questão do divórcio está oficialmente concluída. Você está livre, Anahi.
Eu respirei fundo, sorrindo. Quando me virei pra Alfonso, ele cruzou os braços, me olhou daquele jeito cafajeste que eu conhecia bem e falou:
— Livre uma ova. Você é minha. Minha noiva. Minha mulher. Pra sempre.
Eu ri, joguei os braços ao redor do pescoço dele e o beijei. Sem medo, sem dúvidas. Era ele. Sempre foi ele.
Duas semanas depois, eu e Dulce fechamos tudo em Los Angeles. Empacotamos nossa vida e, junto com Alfonso, subimos no jatinho particular dele rumo a Nova York.
O voo foi tranquilo. Eu adormeci com a cabeça no ombro dele, ouvindo seu coração bater. Era, sem dúvidas, o melhor lugar do mundo.
Mas, assim que pousamos, e descemos do avião, atravessando o terminal, o frio na barriga voltou.
Ruth. Maite. Lia.
Ali. No saguão. De pé. Esperando.
O olhar de Ruth era uma sentença. O de Maite, indecifrado. E Lia... bem, Lia parecia apenas curiosa.
Eu sabia. A partir dali, começava outra batalha.
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THE ESCORT
FanfictionOntem quando saí da cama osol caiu no chão e rolou pela grama as flores decapitaram a si mesmas a única coisa viva que sobrou foi eu e eu já não sei se isso é vida.
