Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Acordei cedo, embora ainda houvesse tempo para repousar. Gabriel havia me pedido um café reforçado, e esse simples gesto me bastou para querer agradá-lo. Preparei tapiocas, suco de goiaba fresco e, numa súbita inspiração, assei um bolo de laranja. O perfume cítrico invadiou a cozinha, trazendo um calor familiar ao ambiente.
— Acordou inspirada hoje, hein! — comentou Túlio, beijando-me o topo da cabeça com aquele carinho despretensioso que só ele sabia oferecer.
— Gabriel está chegando do Rio. — informei, enquanto ele me observava, surpreso.
— Foi fazer o quê lá?
— Encontrar alguns amigos... numa balada.
— Noiva boazinha. Se fosse sua mãe, não teria esses mimos, não!
— Ele foi. E eu confio. Tenho certeza de que não houve nada além do combinado. Vai chegar sem surpresas.
— Vamos ver...
Tomei um banho, vesti um pijama leve com um roupão por cima e borrifei meu perfume favorito, como se minha pele precisasse reconhecer aquele cheiro antes do reencontro. Às sete, uma mensagem: "Estou perto". Fui ao portão, ansiosa, e o vi chegando.
— Bom dia. — disse ele com sua voz calma. Beijei seus lábios com suavidade.
— Fiz bolo de laranja, tapioca e suco de goiaba.
— Obrigado. — Ele me aspirou discretamente, inclinando o rosto junto ao meu pescoço. — Está cheirosa. — Alisou minhas costas com leveza, descendo as mãos até a altura do meu short. — De mini pijama na rua... — sussurrou, apertando minha cintura.
— Para com isso... — murmurei, entre envergonhada e divertida. — Vamos entrar.
Ele, então, me surpreendeu.
— Meus amigos estão hospedados na pousada. Quero que os conheça.
— Que amigos, Gabriel? — perguntei, afastando-me, os braços cruzados.
— São do Rio. Você disse pra eu voltar pra casa... eles decidiram vir comigo. Partimos amanhã.
— Depois a gente vai, está bem? Agora, toma seu café, descansa um pouco.
Ele assentiu. Notei um cansaço honesto em seu olhar. Tomamos o café juntos, e após sua higiene, deitou-se. Fiz o mesmo. Deitei-me ao seu lado, ainda com o pijama. Afaguei seus cabelos, desejando que aquele momento se prolongasse.
— Como foi lá?
— Bom... — respondeu entre bocejos. — Vi a Olívia hoje.
Meu coração se contraiu. Um nome que não me soava qualquer. Fiquei em silêncio.
— Que Olívia?
— Minha ex. A primeira. — suspirou. — Estava bonita.