Decepção.

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 Já havia dito tudo que precisava

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Já havia dito tudo que precisava. O microfone caiu silencioso ao meu lado, como se o mundo tivesse preso a respiração naquele instante. Meus passos cortavam a multidão como uma sombra deslizando, até que cruzei o limiar da casa. Minha mãe veio atrás, a voz dela rompendo o silêncio com um grito carregado de desespero.

— Carla, por que fez isso? — sua pergunta pairava no ar, um sussurro venenoso, cheio de acusações invisíveis.

— Porque você merecia — respondi, firme, o dedo apontado como uma lâmina. — Acha que tudo o que fez foi certo? As atrocidades, as ausências, a doença silenciosa do vício que nos enredou? Você jamais falou sobre isso.

Ela negava, os olhos vazios, mas as sombras que carregava não mentiam.

— Calma, amor — sussurrou Lia, seu toque buscando ancorar minha alma, mas eu já sentia a tempestade se formando.

Carla entrou na sala com um silêncio cortante, quase espectral.

— Você está se relacionando com uma mulher? — a pergunta ecoou, pesada, cheia de julgamento e mais verdades ocultas.

— Isso não importa agora — cortei, a voz firme, sem espaço para desviar.

— Eu te juntei com Bruno para preservar seu futuro — sua voz era um misto de reprovação e medo.

Àquela altura, os convidados já se dissiparam como fumaça, deixando para trás apenas os ecos de um passado que não se apaga.

— Carla, não acredito que você tenha feito isso com minha filha, movida apenas pela ganância — Vanessa falou, seus olhos brilhando com uma decepção profunda. — Ele sequer pode registrar a própria filha, Carla!

— Foi o único jeito de protegê-la — Carla respondeu, a voz tingida de uma obstinação sombria. — Não podia deixá-la repetir nossa história, os fantasmas da infância.

— Você pode fazer o que quiser com o futuro da SUA filha — Vanessa respondeu, apontando o dedo, como quem invoca um julgamento —, mas com a minha, não.

— Ela tem você, o marido, e uma vida confortável! — Carla contra-atacou, mas a fissura em sua voz denunciava a fragilidade.

— Não se trata de dinheiro — Vanessa disse, a voz carregada de uma verdade que não podia ser ignorada. — Você a expôs, fez mal a ela.

— Mal? Ela se casou com um homem rico — Carla insistiu, mas Janaína negou, o silêncio pesado entre elas falando mais que qualquer palavra.

— Nem todos são movidos pela ganância, mãe — Janaína falou, a voz firme, cortante. — Quero que você vá embora da minha casa.

— Esta casa é minha — Carla sussurrou, o tom baixo e ameaçador, como uma sombra que se recusa a partir.

— Quem paga o aluguel sou eu — Bruno se fez ouvir, voz firme, um eco de autoridade —. Peço que a senhora se retire ou chamarei a polícia.

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