Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Já passava das cinco da tarde, e Gabriel ainda não tinha dado sinal de vida. Vívian, embora afirmasse a si mesma que não estava preocupada, sentia a inquietação crescer como um zumbido persistente dentro do peito. Não era apenas a ausência do marido — era o silêncio dele. A ausência das palavras, das mensagens, de qualquer explicação. O que ele estava fazendo?
— Conseguiu falar com o Gabriel, Eduardo? — Helena perguntou com a voz baixa, como se temesse a resposta.
— Ainda não. Mas eu vou encontrá-lo. — respondeu o filho mais velho, decidido.
Eduardo saiu acompanhado de Pedro e João. Os três irmãos formavam um trio tenso, com passos rápidos e expressões fechadas. Eduardo olhou para João com desconfiança.
— Você sabe onde seu tio está, João?
— Eu? N-não sei de... nada não — respondeu o rapaz, gaguejando, desviando o olhar.
— Não sabe ou não quer dizer? — Pedro o encarou, firme. — João, se você sabe, precisa falar. Você acha certo ele sair assim, sem avisar ninguém?
O jovem engoliu seco, hesitante.
— Ele... ele foi pra casa da Clarice.
Pedro e Eduardo trocaram um olhar imediato, carregado de fúria e frustração.
— O quê?! O que ele foi fazer lá?
Sem perder tempo, Eduardo pegou o telefone, mandou algumas mensagens rápidas, fez duas ligações. Minutos depois, eles já estavam parados em frente ao prédio onde Clarice morava. Gustavo estava encostado no carro, braços cruzados, como se esperasse por eles.
— Então foi você quem trouxe ele aqui? — Eduardo avançou.
— Boa tarde — respondeu Gustavo, num tom controlado.
— Boa tarde é o caralho! — rosnou Eduardo, empurrando o cunhado com força. Gustavo revidou de imediato.
— Tu tá achando que tá falando com quem, seu idiota?
Pedro entrou no meio dos dois, separando-os com um braço em cada direção.
— Chega! — esbravejou. — Gustavo, você é louco de deixar ele aqui esse tempo todo?
— Eu não deixei nada. Pelo menos eu estou aqui, sei onde ele está. E vocês? Preferiam o quê, que ele sumisse sem ninguém saber?
— Ele pode ter perdido a memória, mas ainda é um homem feito! É responsável pelos atos dele — João se meteu, tentando apaziguar.
— E por que não nos avisou que ele ia vir pra cá? Se não tem nada de errado, por que esconder?
Lá em cima, o clima era outro. Na casa de Clarice, Gabriel permanecia sentado no sofá, a expressão mais serena do que em dias. Falavam de trabalho, de futuro, de tudo que ele pensava em reconstruir. Mas quando Clarice percebeu o avançar das horas, soube que era hora de encerrar aquela conversa.