Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Depois do beijo que Gabriel me deu, fiquei sentada por um tempo, entre pensamentos e o fogo aceso no corpo — uma vontade urgente de ir atrás dele. Mas a cólica insistente na barriga me trouxe de volta à realidade.
— Se controla, Vívian... — murmurei para mim mesma, alisando a barriga com um suspiro. — Não seria nada mal me entregar agora... tô com vontade, mas essa dor... — franzi a testa, fazendo careta. — Essa gravidez tá me deixando completamente maluca.
Meu pai passou por mim com um fósforo entre os dedos e anunciou, com o sotaque que só ele tinha:
— Vamos pra perto da praia, vamos acender a fogueira.
Olhei para o carrinho e percebi que Bento já estava acordado, piscando os olhinhos para o céu rosado do entardecer. Enrolei meu bebê numa manta e seguimos até o grupo que se reunia ao redor das chamas. A fogueira estalava alegre, o calor suave quebrando o vento úmido da praia. Bento ria, olhando por cima do meu ombro. Por um instante, achei que fosse Gabriel quem vinha, mas era Bruno — e a desilusão veio rápida.
Segurei o Bento contra o peito, voltado para o fogo, ignorando a presença do outro.
— Não sabia que era mãe... Quantos meses ele tem? — a voz dele soou casual, íntima demais. — Você disse que me perdoou. Não vai mesmo conversar comigo?
Pisquei lentamente, tentando conter a irritação.
— Perdoei. Mas esquecer? Não. Por isso prefiro não falar com você.
Ele se retirou em silêncio, e eu voltei meu olhar às chamas, como se pudesse encontrar ali alguma paz. Foi quando senti uma mão sobre meu braço — grande, quente, com as tatuagens que eu reconheceria até de olhos fechados.
— Essa é minha primeira festa junina na praia — Gabriel comentou, tocando a testa do Bento com carinho.
— Não. Ano passado você também veio.
— Mas não me lembro... então vamos contar essa como a primeira.
— Pega ele — pedi.
Gabriel pegou Bento nos braços com aquele cuidado que me desmontava por dentro. O bebê riu, e Gabriel o cheirou como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.
— A gengivinha dele tá inchada — comentei, passando o dedo de leve. — Tá nascendo.
Gabriel olhou para mim enquanto tocava a boquinha do filho.
— Ih, mané! Dois dentinhos! — Bento o mordeu, e ele riu. — Já tá amolando!
— É, só não pode amolar no bico do meu peito — falei, levando a mão aos seios. Gabriel mordeu o canto da bochecha com um sorriso divertido.
— Ele não vai morder, né?
— A carinha que ele fez não me tranquilizou...
Saímos da beira da fogueira e fomos pegar um caldo quente. Gabriel escolheu arroz-doce e um pedaço de bolo de abacaxi.