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  Acordar de um sono bom com criança chorando é o fim da linha

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  Acordar de um sono bom com criança chorando é o fim da linha. Minha blusa molhada de leite, o Bento com cocô até o meio das costas, meu cabelo grudado na nuca de tanto que eu suei. Acordar assim era quase um castigo. Tinha aquela sensação estranha, como quando se dorme o dia inteiro depois da escola e desperta sem saber que mundo é esse.

— Deixa que eu fico com ele. — Gabriel pegou o Bento, que berrava como se o mundo tivesse acabado.

Aproveitei o tempo pra cuidar de mim, mesmo que fosse às pressas. Não estava conseguindo ficar muito tempo sem sutiã — qualquer movimento doía. Enquanto isso, Bento seguia no choro, claramente faminto.

— Vem, enjoado. — peguei ele no colo com cuidado. — Oi, Jonatas. — cumprimentei entre um bocejo e outro.

— Trouxe café pra vocês. — disse com um sorriso simples.

— Obrigada, mas hoje eu preferia um jantar. — tapei o seio com a fralda de pano que estava sobre a pia e comecei a amamentar. Com o bebê no colo, montei meu prato, ajeitei as coisas. — Vou deixar vocês a sós. — murmurei, indo para a sala.

De lá, escutava a conversa dos dois, risos abafados. Sempre que Gabriel falava um pouco mais alto, o Bento virava a cabeça, procurando a voz dele. Curioso e atento.

— Fofoqueiro... — cochichei para o bebê, que coçava os olhinhos. — Fica perseguindo o pai.

Aumentei um pouco o volume da televisão e jantei sob o olhar dele. Quando o sono passou longe, atravessamos a madrugada juntos, e só quando o corpo pediu descanso é que enfim adormeci.

No dia seguinte

Acordamos cedo, e eu, sem planos, resolvi entrar na piscina com o Bento. O sol era ameno, e a água estava uma delícia. Gabriel nos viu e, sem pensar muito, entrou também.

— Ele é um bebê muito alegre. — comentou, ajudando o Bento a boiar de costas com as mãozinhas agitadas.

Deixei os dois e nadei pela piscina como se tivesse voltado à infância. Fazia tempo que não entrava, mas quando entrava, era pra valer.

— Amanhã vai ter festa junina na pousada dos meus pais. Queria ir... e aproveitar pra ajudar a Tália enquanto eles estiverem viajando.

— Pra onde vão?

— Grécia. A gente se juntou pra dar essa viagem de presente de casamento pra eles.

— Que lindo. E nós, onde passamos nossa lua de mel?

— Tóquio. — ele disse, e eu fiz uma careta. — Não gostou, né?

— Não mesmo. Queria Itália. Mas você não quis.

— Tá bom, confesso... — ele riu, quase segurando, mas não resistiu. — Você odiou!

— Queria algo mais romântico. Foi bom, mas no fundo, nem você gostou tanto.

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