Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Três dias depois
— Foi muito bom passar uns dias com o senhor, seu Pierre. — nos abraçamos brevemente, com aquele respeito afetuoso de quem já compartilhou muita coisa sem precisar falar demais.
— Imaginei que fosse gostar. Te espero na próxima semana pra sua consulta de rotina. — Concordei com a cabeça, já com os olhos no relógio.
Ele desceu do jato, e eu segui viagem rumo a Bogotá, com a ansiedade me roendo por dentro. Mal conseguia esperar para rever minha esposa e meu filho. Tentei dormir um pouco, mas acordei com a turbulência do avião me arrancando do cochilo.
— De novo? — reclamei alto, na esperança de que os pilotos ouvissem meu protesto abafado.
— Estamos passando por uma grande tempestade! — alguém respondeu da cabine.
Agarrei firme os braços da poltrona, fechei os olhos e deixei que o medo passasse, como uma onda. Nessas horas, não existe racionalidade que acalme.
Quando, enfim, o avião pousou, agradeci aos pilotos com um alívio visível e fui direto para a casa dos meus pais. Meu pai estava na entrada, conversando com o jardineiro. E, junto dele, Bento. Meu pequeno Bento.
— ¡Buenos días! — cumprimentei o jardineiro, que sorriu de volta.
— Bi, bi! — Bento estendeu os bracinhos, e eu o peguei no colo, apertando forte. Que saudade...
— Não sabia que você ia chegar cedo. — meu pai me abraçou, surpreso.
— Casi no llego, passei por turbulências terríveis... — Bento me olhava com uma expressão estranha. — Ele vai chorar? — perguntei, e nem deu tempo de meu pai responder. Bento se jogou nos braços dele e começou a chorar. — ¡Te extrañé, chico! — estendi os braços, querendo tê-lo de volta, mas ele virou o rostinho, ressentido.
— Quem está te estranhando é ele! — meu pai riu, andando na frente, e eu fui atrás, arrastando as malas. — Como foi lá?
— Bom. — falei, olhando pra Bento com ternura. — Deu pra cansar... agora é hora de curtir a família. — Bento me lançou um meio sorriso. — Parece que ele cresceu.
— O mais novo também. — Talvez ele falasse do bebê.
Da entrada da casa até a porta havia um bom caminho, e como a casa era alta, dava pra ver tudo lá de cima.
— Aquela mulher com um vaso na mão é a Vívian? — forcei a vista.
— É. Não reconhece mais a sua mulher, não? — ele riu.
— Ela tá diferente. E o bebê tá maior... — fomos nos aproximando. Quando chegamos mais perto, vi Vívian entrando e saindo com um buquê enorme nas mãos.
— Isso é pra quem? — perguntei atrás dela, e ela deu um pulo, assustada.
— ¡Bi! — me olhou arregalada. — Não me assusta assim! — me abraçou apertado, e eu retribuí, puxando ela contra o peito. — Tá doido? — me deu um tapinha de leve, e eu alisei sua barriga antes de dar um selinho suave.