Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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— Deu mole em descer aqui na frente — murmurou Gustavo, como quem sussurra um segredo em meio ao burburinho.
— Não esperava que ela chegasse tão cedo — respondeu, olhando para a porta, buscando a presença da mãe. Gustavo saiu, e eu o encarei.
— Sua mãe sabe que está conhecendo um homem mais velho?
— Homem, Vívian. Ela vai me matar se descobrir que ando com o Eduardo.
— Giulia, você já é maior de idade e sabe o que faz.
— Ela acha que eu devo namorar alguém da minha idade — disse, sem dar muita atenção ao que eu dizia. — Já implicava com a idade do meu último namorado, e eram só três anos de diferença! — passou a mão no rosto, meio cansada.
— E como foi a noite com ele? — tentei aliviar o clima.
— Foi ótima — apoiou-se no balcão. — Fomos para um hotel em Angra e, Vívian... — soltou um suspiro profundo — ele foi exatamente como eu gosto, carinhoso e atencioso.
— Imagino. Eduardo sempre foi um homem gentil. Mas, um dia, você terá que contar isso para sua mãe.
— Não acho que será necessário. Nosso relacionamento não passará disso — abriu a pequena caixa que trouxe.
— Hum... — falei, desconfiada.
— Olha as lembrancinhas que encomendei.
— Que delicadeza — levei o vidrinho ao nariz. — Cheirinho de bebê, perfeito.
Logo começaram a chegar os convidados. Cumprimentei-os, agradecendo pelos presentes. Minha mãe deu prioridade às roupas e lenços, pois as fraldas já eram abundantes, mas ainda assim ganhamos algumas.
— Até lacinho! — exclamei ao abrir o presente da tia Ruth. — Que coisa mais linda. — Olhei o body azul e imaginei as pequenas delicadezas de uma menina.
— Se for menina, ela vai ser grudada no Gabriel — disse minha irmã, puxando a barra do meu vestido com um sorriso.
— Acho que será assim — respondi. — Ele quer muito, tanto quanto eu. Será Bento e Maria Helena grudados nele.
— Tudo o que eu desejo — afirmou minha irmã, segura — um menino, uma menina, e basta.
Sei o quanto ele anseia por uma menina, desde sempre.
— Vai ligar para ele? — perguntou minha mãe.
— Não — respondi com convicção. — Gabriel que resolva essa vasectomia. Sou jovem demais para essas preocupações.
— Quer mais filhos? — Giulia perguntou, assustada.
— Não, não por isso. É mais pelo pós-operatório — expliquei. — Dizem que dói bastante. Um bom método contraceptivo será suficiente.