180

264 27 1
                                        

  ANO NOVO

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.


ANO NOVO.

A manhã começou com a rotina tranquila de sempre, ou quase. Eu estava sentada na varanda, com a pequena Maria Helena no colo, tentando limpar as últimas casquinhas de sua cabeça. A cabeleira dela — farta e bagunçadinha como a do pai — não ajudava em nada.

— Algum dos seus irmãos teve isso? — perguntei ao Eduardo, que se aproximou, curioso.

Ele negou com a cabeça, encolhendo os ombros.

— Mas dizem que é comum — comentou, tentando me tranquilizar.

Passei o pente com delicadeza, mas quando um tufo de cabelo veio junto, meu coração parou por um segundo.

Engoli em seco.

— GABRIEL! — gritei, aflita.

Ele veio correndo, junto com minha mãe.

— O que foi? — perguntou, alarmado, olhando imediatamente para a Maria.

— O cabelinho dela tá caindo... — mostrei o pente, os fios nos meus dedos.

Minha mãe se aproximou e olhou com calma.

— Isso é normal, filha. Acontece com muitos bebês. — tentou amenizar minha angústia.

— Mas assim, desse jeito? — insisti, ainda sem acreditar.

— Sim. Vai crescer de novo. É só uma fase.

— Quer que eu termine de tirar? — Gabriel ofereceu, com voz calma.

— Não, deixa que eu faço... — respondi, respirando fundo.

Continuei o processo até que não restasse mais nenhum fiapo. A minha bebê, que nasceu cheia de cabelo, agora estava lisinha.

— Tinha tanto cabelo... e agora tá peladinha. — murmurei, lavando sua cabeça com um shampoo apropriado.

— Vai passar a virada careca, mas de barriguinha cheia. — Gabriel brincou.

Soltei uma risada breve, tentando sufocar a vontade de chorar. A maternidade é um misto de riso e lágrima o tempo todo. Era isso que me mantinha firme.

— Ela gosta de mamar, ainda bem que o Bento largou. — enxuguei a cabecinha da Maria. — Imagina três grudados em mim? Não ia dar!

Coloquei a pequena na frente do ventilador, só de fralda, aliviada por vê-la alimentada e tranquila. Logo depois, foi a vez do Lázaro, que mamava com uma das mãozinhas pousada no rosto, como quem já carrega segredos.

— Ele tá esticando. Ela engorda, ele espicha.

— Puxou o safado do pai... — murmurei com um sorriso, balançando na cadeira de madeira. O calor de Angra grudava na pele como abraço de avó.

Noivos por acaso.  Histórias para pegar e não largar. Descubra agora