Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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ANO NOVO.
A manhã começou com a rotina tranquila de sempre, ou quase. Eu estava sentada na varanda, com a pequena Maria Helena no colo, tentando limpar as últimas casquinhas de sua cabeça. A cabeleira dela — farta e bagunçadinha como a do pai — não ajudava em nada.
— Algum dos seus irmãos teve isso? — perguntei ao Eduardo, que se aproximou, curioso.
Ele negou com a cabeça, encolhendo os ombros.
— Mas dizem que é comum — comentou, tentando me tranquilizar.
Passei o pente com delicadeza, mas quando um tufo de cabelo veio junto, meu coração parou por um segundo.
Engoli em seco.
— GABRIEL! — gritei, aflita.
Ele veio correndo, junto com minha mãe.
— O que foi? — perguntou, alarmado, olhando imediatamente para a Maria.
— O cabelinho dela tá caindo... — mostrei o pente, os fios nos meus dedos.
Minha mãe se aproximou e olhou com calma.
— Isso é normal, filha. Acontece com muitos bebês. — tentou amenizar minha angústia.
— Mas assim, desse jeito? — insisti, ainda sem acreditar.
— Sim. Vai crescer de novo. É só uma fase.
— Quer que eu termine de tirar? — Gabriel ofereceu, com voz calma.
— Não, deixa que eu faço... — respondi, respirando fundo.
Continuei o processo até que não restasse mais nenhum fiapo. A minha bebê, que nasceu cheia de cabelo, agora estava lisinha.
— Tinha tanto cabelo... e agora tá peladinha. — murmurei, lavando sua cabeça com um shampoo apropriado.
— Vai passar a virada careca, mas de barriguinha cheia. — Gabriel brincou.
Soltei uma risada breve, tentando sufocar a vontade de chorar. A maternidade é um misto de riso e lágrima o tempo todo. Era isso que me mantinha firme.
— Ela gosta de mamar, ainda bem que o Bento largou. — enxuguei a cabecinha da Maria. — Imagina três grudados em mim? Não ia dar!
Coloquei a pequena na frente do ventilador, só de fralda, aliviada por vê-la alimentada e tranquila. Logo depois, foi a vez do Lázaro, que mamava com uma das mãozinhas pousada no rosto, como quem já carrega segredos.
— Ele tá esticando. Ela engorda, ele espicha.
— Puxou o safado do pai... — murmurei com um sorriso, balançando na cadeira de madeira. O calor de Angra grudava na pele como abraço de avó.