Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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— Amanhã você completa a oitava semana de gestação — anunciou o médico com serenidade, voltando sua atenção para o monitor. Observei a imagem em preto e branco que dançava diante dos meus olhos: o bebê já tomava forma, pequeno, inquieto, intensamente vivo.
— Muito agitado — comentei, entre um sorriso e a incredulidade que ainda me tomava. — Bento, parece que você foi promovido a irmão mais velho — acrescentei, voltando-me para o pequeno, aninhado no colo do tio, alheio à notícia que mudaria mais uma vez o curso das nossas vidas.
Relatei ao médico, com a precisão que me cabia, toda a sucessão de acontecimentos: a descoberta inesperada dessa nova gestação, o histórico da anterior — silenciosa, discreta, quase imperceptível —, e o parto repentino. Comentei ainda, quase como um sussurro, a surpresa de engravidar mesmo após a vasectomia de meu marido, como se a própria natureza nos pregasse uma peça.
— É imprescindível que evite qualquer tipo de estresse, que mantenha uma alimentação adequada e se abstenha de esforços físicos — recomendou o médico, com voz firme, porém afável. Assenti com a cabeça. — Prescreverei vitaminas, seu organismo está carente de alguns nutrientes. A senhora trabalha em escritório? Os níveis de vitamina D estão especialmente baixos.
— Na verdade, fico mais em casa... com meu marido. Gosto de estar perto dele — confessei, sem esconder o sorriso quase infantil.
— Nesse caso, abra as janelas, permita que o sol entre. Tomem sol juntos, os três. Será benéfico em todos os sentidos — aconselhou com um sorriso discreto. — E, por favor, alimente-se corretamente, dona Vívian.
— Pode deixar que eu cuidarei disso — interveio Pedro, divertido.
O médico anotou suas últimas observações, entregou-me a receita e despedimo-nos com cordialidade. Ao sairmos, respirei fundo.
— Nem sequer tentou me defender... O médico me deu uma bronca e você só incentivando — comentei, pegando a receita.
— Ele fez muito bem. Alguém precisa puxar sua orelha — respondeu com leveza.
Estalei os lábios, entre a indignação e o riso.
— Vamos passar na farmácia, antes que eu me esqueça dos remédios.
Na farmácia, além dos medicamentos prescritos, aproveitei para adquirir alguns itens para o Bento e também para os cachorros.
— Nunca imaginei que farmácias vendessem produtos para animais — comentou Pedro, examinando as prateleiras com curiosidade.
— Nem eu — admiti, pegando alguns sachês. — Mas já que tem... Eles precisam passar no veterinário este mês. É hora do check-up.
— Você não descansa, não é?
— A vida não me permite... e, honestamente, eu também não sei parar.
No caixa, ao tentar realizar o pagamento, meu cartão foi recusado. Revirando os olhos em silêncio, peguei o de Gabriel, mas também não passou — e tampouco eu sabia a senha.