Ilha.

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   Acordei por volta das sete da manhã, com o som das ondas ao longe e um sol tímido atravessando as frestas da janela

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Acordei por volta das sete da manhã, com o som das ondas ao longe e um sol tímido atravessando as frestas da janela. Tomamos café juntos, numa tranquilidade que parecia aquecer o peito, e logo depois Gabriel saiu com os cachorros enquanto eu me organizei para trabalhar na pousada.

— Que saudade de me sentir útil, de fazer alguma coisa que não fosse só cuidar do Bento... Às vezes sinto que é tudo o que eu sei fazer. — comentei, ajeitando a cadeira diante do notebook.

— Antes do Bento, você já era a Vívian. Tudo o que você está fazendo agora não apaga quem você foi — respondeu meu cunhado, com aquele jeito simples de dizer verdades.

— Vi você e o Gabriel conversando ontem. Ele te falou alguma coisa? — perguntei, tentando parecer casual. Ele negou com a cabeça, mas eu sabia que, se tivesse falado, ele não me contaria. Era mais amigo do Gabriel do que meu, e isso era natural — entre homens, parece haver códigos silenciosos.

— Falou, mas nada com o que você deva se preocupar — respondeu enfim.

— Acho que ele está cansado da rotina — joguei verde, observando sua reação. — Pra alguém tão independente, que ia e voltava quando queria... agora ter que se prender a uma estrutura, a alguém... deve ser difícil.

— Talvez ele só esteja entediado. Experimenta vocês saírem mais, fazerem algo novo. Vai ver ele curte.

Arqueei uma sobrancelha.

— Se ele, que começou agora, está entediado com a rotina, imagina eu.

Voltei minha atenção ao trabalho, tentando ignorar a pontada de exaustão que me atravessava o corpo.

Passei a manhã mergulhada em tarefas, só interrompendo o ritmo para almoçar e dar atenção ao Bento, que naquele dia estava especialmente agitado.

— Quer que eu fique com ele pra você trabalhar? — perguntou Gabriel, ofegante, ainda suando da academia.

— Não. Quer trabalhar comigo?

Ele semicerrou os olhos.

— Mas não vai fazer igual ao Gustavo, que ficou só sentado me olhando trabalhar.

— Não. Eu vou te ajudar — respondeu com um sorriso divertido. — Faço questão.

Almoçamos juntos. Dei a papinha pro Bento, que devorava tudo com gosto, fazia caretas engraçadas quando bebia água e ainda mamava como se nada o satisfizesse por completo.

— Sobremesa? — Gabriel limpou a boca do Bento com um carinho silencioso.

— Foi aonde hoje? — perguntei, recolhendo a louça.

— Dei uma volta na outra praia, com os cachorros.

— Foi andando até lá? — Ele assentiu. — Fez yoga ou foi à academia?

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