Amor seguro.

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— Vai vir mesmo? — perguntou Vívian, remexendo as gavetas da cozinha com a pressa habitual de quem tenta encontrar um garfo e, sem querer, revira a própria rotina

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— Vai vir mesmo? — perguntou Vívian, remexendo as gavetas da cozinha com a pressa habitual de quem tenta encontrar um garfo e, sem querer, revira a própria rotina.

— Vou, meu bem. Acho que meus pais também. — respondeu Tália do outro lado da linha, com aquela leveza típica dela.

— Que bom... O Gabriel vai sair com o irmão dele e eu não quero ficar aqui sozinha. — entornei a cabeça pela porta da cozinha, só de cueca, fazendo com que ela me olhasse de cima a baixo.

— Manda ela trazer o Gustavo. — sussurrei, e Vívian riu baixinho antes de repetir minha fala em voz alta, como se fosse uma confissão maliciosa.

— Ele vai sim — respondeu Tália. — Não deixo o Gustavo soltinho nem nos melhores sonhos dele.

— Isso é um relacionamento abusivo — provocou Vívian com um sorriso.

Deixei as brincadeiras de lado por um instante e fui preparar meu suplemento antes da corrida. Merlim, sempre curioso, apoiou a pata na bancada.

— Sai daí, mal-educado — reclamei, e o cachorro se sentou, me encarando com aquela pose de quem nunca faz nada de errado.

— Acordei com vontade de comer algo diferente. — Vívian se espreguiçou, preguiçosa e bonita demais pro horário.

Enquanto ela preparava panquecas de banana com canela — o cheiro doce invadindo tudo —, me sentei para tomar meu pré-treino. Ela deu uma mordida, os olhos fechando de prazer, e veio até mim me cheirando como eu fazia com ela. Ri.

— Para! — me levantei, rindo, colocando o copo na pia.

Ela me deu um tapa na bunda. Apertou. Revidou minha provocação.

— Tá bom, vou parar. Vai ficar andando de cueca pela casa?

— Vou colocar roupa pra correr.

— Vai nada, fica aqui. — Ela me puxou com os braços ao redor do meu pescoço, beijando meu queixo. — Tô com saudade de ficar só com você.

A saudade era recíproca. Com um bebê entre nós, a rotina virou outro mundo. Mas aquele pedido simples dela me desarmou.

— Quer assistir um filme? — perguntei.

— Não. Só quero deitar e ficar abraçada com você.

Atendi o pedido como quem aceita um convite precioso. Fomos pro quarto de hóspedes, a porta entreaberta, os cachorros se deitando por perto como sentinelas fiéis. Vívian apoiou o queixo no meu peito, e eu a envolvi com os braços, como se o mundo coubesse ali.

— Eu te amo — disse, e meus dedos passearam pelo cabelo dela. — Faria tudo por você.

— Você já faz — respondeu, acariciando meus fios como quem sabe exatamente onde tocar.

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