Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Topei dormir em outro quarto, por hoje. A ausência dela ao meu lado pesava mais do que o desconforto da cama. Vívian dissera que queria descansar um pouco melhor, e achei justo. Mas o silêncio do quarto parecia me engolir inteiro. Demorei a dormir. Quando finalmente peguei no sono, Bento chorou. Um lamento curto, suficiente para me deixar em alerta. Ele logo se acalmou, e eu também. Mas algumas horas depois, o choro voltou — alto, insistente, aflitivo. Me levantei sem pensar muito e fui até o quarto.
Giulia estava em pé, trocando Bento com a calma de quem já conhecia bem a rotina. Tália dormia profundamente num canto do quarto, imóvel como uma estátua, alheia ao caos ao redor.
— Tá tudo bem? — perguntei, me aproximando.
— Só estou trocando ele — respondeu, sem parar o movimento das mãos.
Vívian saiu do banheiro naquele instante. Estava com uma calcinha alta, sem sutiã. Os bicos dos seios estavam vermelhos. Ela vestiu o pijama com um suspiro, tentando parecer tranquila.
— Acordou com ele berrando, né? — perguntou.
— Já estava acordado. Queria dispersar a mente.
Ela o pegou nos braços. Parecia um pouco nervosa, talvez pelo cansaço, talvez pelo choro dele. Tentou colocá-lo ao peito, mas Bento se debatia, e ela também. Os dois pareciam lutar contra algo invisível — o descompasso entre eles, a dor, a insegurança.
— Calma... fica calmo, meu peito tá doendo... — murmurou, tentando guiá-lo. Bento sugava, mas logo largava o peito, frustrado. — A pega está certa... — olhou pra mim, os olhos carregados de aflição.
— Troca de lado. Tenta de novo.
Minha sogra entrou no quarto sem dizer nada, apenas observando. Vívian obedeceu. Trocar de peito ajudou — Bento, enfim, pegou direito. O silêncio que veio depois foi um alívio.
— Tem que ficar calma. Mas nem sempre ele vai se acalmar tão fácil.
— Fácil? Por um instante achei que estava batendo nele... — a voz dela tremia. Estava se sentindo errada, insuficiente.
— É normal — disse Vanessa. — Acho que ele tá aprendendo a chorar de verdade.
— Chorou alto, hein? E a Tália nem acordou — comentou Giulia.
— Aquela ali... nem com reza braba — disse minha sogra.
Sentei no banquinho ao lado da poltrona. Apoiei os pés da Vívian no meu colo. Ela mexeu os dedos, tombou a cabeça pra trás, fechando os olhos.
— Conseguiu dormir?
Ela balançou a cabeça.
— Nem cheguei a deitar. Fiquei com medo de deitar em cima dele.
— Não fica botando ele na cama assim, senão acostuma — alertou minha sogra, olhando para o outro seio dela, que vazava leite.
— Meu peito tá doendo — disse Vívian, num tom quase de choro.