Fala.

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   — Vem aqui! — fiz biquinho, e o Bento veio, se aproximando devagar, cheirando meu rosto do mesmo jeitinho que o pai dele faz

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  — Vem aqui! — fiz biquinho, e o Bento veio, se aproximando devagar, cheirando meu rosto do mesmo jeitinho que o pai dele faz.
— Que delícia! — murmurei, fungando o cheirinho doce que vinha do pescoço dele.

Tinha acabado de voltar da aula de pilates. A médica finalmente tinha me liberado, e foi uma delícia sentir meus músculos acordarem depois de tanto tempo. Agora eu estava ali, largada no sofá da área externa, com o Bento aninhado no peito.

— Bi Bi... — choramingou, aconchegado em mim.

— Cadê o safado do seu pai? — Tália apareceu e pegou Bento no colo, mas eu logo neguei, com o semblante sério.

— Para com isso — falei num tom mais firme.

— Mas é verdade! — Pedro se meteu.

— Queria ver se fosse você no lugar dele. Tão honroso, tão corajoso... Por que não pegou a arma e atirou, então? — o encarei. — Pronto. Já respondeu.

Silêncio. Ninguém ousou retrucar. Horas depois, Gabriel ligou. O Bento dormia profundamente, sem sinal de que fosse acordar.

— Deixa — ele estalou os lábios, frustrado. — Ele me chamou hoje?

— Chamou — respondi, segurando a vontade de contar o que tinha acontecido. — Semana que vem você tá aqui, né?

— Tô. E cheio de coisa pra você — ele mostrou as bolsas. — Quero só ver a tributação disso tudo. Ainda acho que não vale a pena levar o que já tem aí.

— Vale sim. Comprou algo pra você?

— Não. Aqui eu tô aprendendo a ter só o necessário.

— Que lindo! — brinquei, e ele riu. — Quero ver quanto tempo essa fase minimalista vai durar em você.

— Pra falar a verdade, já nem acho tanta graça em comprar roupa sem necessidade.

— Ainda bem. Agora temos duas prioridades — ele assentiu. — Comprei mais pros meninos. Até os cachorros ganharam presente.

— Chega. Tô tão cansada — suspirei, fazendo careta.

— Você só fala isso porque não tá aqui cuidando de um bebê com outro na barriga.

— Desculpa, amor — disse ele, envergonhado.

— Pelo quê?

— Por te engravidar tão rápido.

Gargalhei. Ri tanto que mal conseguia falar.

— Para! Eu engravidei porque quis. Sabia dos riscos.

— Mas a gente transou junto. E eu queria um filho.

— Aconteceu, né... — suspirei.

— Tô sentindo sua falta. Do seu cheiro, de te tocar...

— Safadeza! — João chegou pegando o Bento.

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