Casal.

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     Passei a tarde inteira entre fofocas e comidas — tirei o dia para me entregar sem culpa aos desejos, porque, sinceramente, com a gravidez, comer doce virou uma missão quase impossível

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Passei a tarde inteira entre fofocas e comidas — tirei o dia para me entregar sem culpa aos desejos, porque, sinceramente, com a gravidez, comer doce virou uma missão quase impossível. Quando o Gabriel chegou, pegou o filho no colo, e eu aproveitei para me arrumar. Liguei o ar condicionado no mínimo e fiquei ali, tentando me preparar para sairmos, mesmo com o calor que fazia o ar central da sala de jogos parecer um ventilador preguiçoso.

Mas, assim que terminei de me arrumar, começaram as dores. No começo, confundi com uma cólica, mas logo percebi que eram contrações. Fui ao banheiro conferir se havia algum sangramento ou corrimento, mas estava tudo em ordem — o que não significava que eu estava bem.

— Alguém viu minha mãe? — perguntei para quem estava na área externa.

— Ela saiu, está lá fora! — respondeu Gabriel. Desci os degraus fazendo uma careta.

— Parece que estou remando! — comentei.

— Você está mais para cobra se arrastando! — ele brincou.

Coloquei a mão nas costas, sentindo o peso. Gabriel veio ao meu encontro e me ajudou a descer as escadas até onde minha mãe conversava com uma vizinha.

— Essa é a Vívian, minha filha que mora aqui — apresentei, acenando para a moça. — Essa é a sua vizinha, veio nos presentear com uma planta, um rabo de macaco.

A vizinha, uma loira de cerca de trinta e poucos anos, magra e tonificada, tinha olhos marcantes e um sorriso simpático.

— Que linda! — elogiei, mas logo uma nova contração me fez franzir a testa. — Acho que é contração mesmo.

Minha mãe e Gabriel tocaram minha barriga, como quem quer ajudar.

— É treino — disse Gabriel, e o bebê chutou.

— Estou toda dolorida — reclamei, mexendo o quadril e abaixando um pouco. — Minha perereca dói.

— Deita um pouco, vai melhorar.

Com ajuda, fui para a rede na área externa. Fechei os olhos, tentando relaxar, enquanto o calor insistia em me fazer companhia.

— O restaurante fica pra depois, né? — perguntei.

— Não, daqui a pouco essa dor passa e eu vou querer um salmão suculento — respondeu ele, rindo.

Fechei os olhos de novo, sentindo o bebê se mexer cada vez mais conforme a barriga endurecia.

Pedro, que apareceu para fazer uma visita, passou a mão gelada na minha barriga, e o bebê chutou forte.

— Foi ela? — perguntou, olhando para mim.

— Sim — confirmei.

— Tá mais agoniado que eu com esse calor — comentou, quando um vento gelado soprou, como se alguém tivesse ligado o ventilador bem na hora certa.

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