Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Chegamos ao show, cada um tomando seu lugar no espaço amplo. Eu me mantive num canto, quieto, observando de longe a Vívian com suas amigas, que pulavam e riam com a energia solta da noite. Ela disse que ia ficar de olho em mim, mas eu sabia que, na verdade, não estava ligando muito.
— Tem mais mulher aqui do que homem! — Pedro surgiu ao meu lado, com aquele sorriso satisfeito. Eu apenas concordei, quieto. — Tô no paraíso. — ele murmurou quase para si mesmo.
Uma menina se aproximou, talvez querendo puxar conversa, e eu virei as costas antes que chegasse perto demais. Pedro foi até ela, trocou algumas palavras, com aquele jeito fácil de quem domina o ambiente.
— Tá com medo de dormir no sofá? — perguntei, meio brincando, meio sério. Ele só concordou, um sorriso maroto no rosto.
Lancei um olhar para a Vívian que, no meio da multidão, saltava com alegria, tão solta que quase parecia flutuar. Me aproximei devagar, chegando por trás. — Se controla! — brinquei, pousando a mão na barriga dela. Ela segurou minha mão com firmeza.
— Eu tô bem! — disse, levantando o rosto para me olhar nos olhos.
— Então, sem pular. — reforcei, e ela assentiu com um sorriso.
A música rolava solta:
"Desliza Quando 'cê empina Ai que coisa linda Eu quero te arrepiar"
Vívian se colou em mim por um instante, me entregando as duas garrafinhas d'água que segurava, antes de voltar a dançar, livre, feliz.
— Vai pra lá, Bi! — ela falou, olhando firme para mim. — Fica com seu irmão, com o Gustavo!
Concordei e saí dali, me apoiando na grade do camarote. Daniel riu ao me ver.
— Te botou pra ralar, hein? — Apenas pediu para eu me retirar — respondi, sorrindo. — Prefiro acreditar nisso — ele gargalhou.
Fiquei ali, só olhando. Vívian parecia mais calma agora, seus movimentos sincronizados com a batida da música, o corpo falando uma língua própria. Pedro apareceu perto de mim, limpando a boca com um lenço, resquícios de batom ainda marcados nos lábios.
A festa continuava, e eu ficava ali, entre a multidão, perdido nos pequenos detalhes daquela noite.
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